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Sony fechará fábrica no Brasil e encerrará venda de TVs e câmeras

Empresa vai encerrar fabricação local após 48 anos; divisões de videogame, música, soluções profissionais e audiovisual, no entanto, permanecerão funcionando por aqui

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Foto do author Márcia De Chiara
Foto do author Bruno Romani
Sony fechará fábrica no Brasil em março de 2021 Foto: Kyung Hoon/Reuters

Presente há quase cinco décadas no Brasil, a fabricante de eletrônicos Sony vai fechar sua fábrica na Zona Franca de Manaus e deixará de vender TVs, câmeras e produtos de áudio no País a partir de março de 2021 – período em que se encerra o ano fiscal de 2020 da companhia japonesa. A informação consta em um comunicado enviado pela fabricante japonesa a parceiros, incluindo varejistas, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) e o governo estadual local – o Estadão teve acesso ao documento. 

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No comunicado, a empresa afirma que a decisão ocorre "considerando o ambiente recente de mercado e a tendência esperada para os negócios". A companhia ainda reafirma que outras de suas quatro divisões (videogames, soluções profissionais, música e audiovisual, que inclui cinema e TV) continuarão a atuar no Brasil. 

Apesar do fechamento da fábrica, a Sony também afirma que manterá operações locais para "oferecer todo suporte ao consumidor para os produtos sob a sua responsabilidade comercial de acordo com as leis aplicáveis e sua política de garantia de produtos". As vendas de PlayStation, que já não contavam com fabricação local, devem continuar por meio de distribuidoras. Segundo apurou o Estadão com fontes do mercado, uma saída possível para os próximos passos da empresa seria fechar um contrato com uma distribuidora, mas nenhuma parceria foi firmada até o momento. 

No final da manhã desta terça, 15, a Sony confirmou o encerramento das operações e as outras informações contidas na nota enviada aos parceiros. Além disso, acrescentou: "A Sony está tomando todas as medidas necessárias e está muito comprometida como empresa em empenhar seus esforços para garantir todos os direitos, o melhor tratamento e cuidados especiais aos seus colaboradores".

Tanto no comunicado oficial quanto no comunicado enviado pela companhia ao Cieam e ao governo do Estado do Amazonas não há detalhes sobre como ficarão os trabalhadores da indústria. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus, a empresa tem entre 300 empregados na região. Wilson Périco, presidente do Cieam, informa que tem reunião marcada com a empresa na próxima quarta-feira, 16, e que a companhia já havia solicitado o encontro na semana passada com a direção do Cieam, mas sem especificar qual seria o tema.

Valdemir Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus e da Central Únicados Trabalhadores do Amazonas (CUT-AM), diz que já se reuniu com a direção da Sony e que tem novo encontro marcado para tentar atenuar as perdas para os trabalhadores da fábrica. Ele pretende negociar uma proposta que ofereçaa manutenção do plano de saúde para os empregados que serão demitidos por um tempo maior e uma indenização proporcionalmente maior paraos que têm mais tempo na empresa.

O dirigente sindical argumentaque não existe uma política industrial do governo que fomente o emprego, no momento em que as autoridades sinalizam que poderão reduzir tarifas e abrir o setor para as importações. “Em 2010, a Zona Franca chegou a ter 140 mil empregos e hoje não chega 85 mil.”

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Competição

Presidente do Cieam, Périco aponta três motivos que explicam a decisão da Sony de sair da linha de áudio e vídeo, repetindo um movimento quefoi feito pela Philips cinco anos atrás.

O primeiro fator seria a forte concorrênciade outros fabricantes asiáticos, com a perda de participação de mercado que já vinha ocorrendo nos últimos anos. “Coreanos e chineses não são fáceis. Samsung e LG nadam de braçada e há outras chinesas produzindo bastante também.” A escala de produção dessas empresas, faz com que os custos de produção sejam muito agressivos e isso dificulta a concorrência, observa Périco.

Somado à escala, ele, ressalta a rapidez da evolução tecnológica do setor. Empresas que estão ligadas acentro tecnológicos daCoreia e da China têm tido mais facilidade para acompanhar esse mercado com maior velocidade, observa o presidente do Cieam.

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Um varejista consultado pela reportagem afirmou que os produtos da marca estavam "praticamente fora do mercado" em relação preço. 

Outro fator apontado por Périco para a saída da Sony é a grande incertezano ambiente de negócios que há no País. “Temos, a todo instante, a equipe econômica falando que quer baixar imposto de importação e abrir o mercado.” Em conversas que o executivo teve com o governo, ele alertou que há no setor eletroeletrônico grandes multinacionais produzindo localmente. Isso significa, segundo o presidente do Cieam, que o corte de imposto não é de todo modo ruim para essas empresas. “O que eles mais querem é sair da insegurança jurídica, da instabilidade política e passar atender ao mercado brasileiro produzindo fora, gerando emprego fora.”

Novo recuo

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Esse não é o primeiro movimento de recuo importante da gigante japonesa no Brasil. Em abril do ano passado, a marca abandonou o mercado de smartphones. Na época, Kenichiro Hibi, presidente da Sony Brasil, afirmou ao Estado: “Paramos o nosso negócio de celular no Brasil por um tempo como parte de nossa estratégia. Aqui no País existem marcas muito grandes, a maior parte de venda de aparelhos é de categoria econômica, e nosso foco é em linhas premium”. Após abandonar os celulares, o foco da companhia seria nas TVs e produtos de áudio. 

Apesar de ter resultados positivos com a venda de games em todo o mundo, a Sony alertou em maio investidores que previa uma queda de 30% no lucro global devido ao coronavírus, puxada pela queda na demanda de TVs e sensores de câmeras. 

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