José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

'Segredo deste time é o comprometimento', diz Paulo Nobre

Animado com o futebo do Palmeiras, presidente diz que elenco será mantido para próxima temporada

DANIEL BATISTA, LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI. LUÍS AUGUSTO MONACO, MÁRCIUS AZEVDO E ROBSON MORELLI, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Com pouco mais de seis meses no comando do Palmeiras, o presidente Paulo Nobre vive uma luta diária para colocar o clube em ordem. Em campo, pelo menos o time tem facilitado as coisas. Na última quarta-feira, Nobre visitou a redação do Estado ao lado do diretor executivo José Carlos Brunoro e, em entrevista exclusiva, falou sobre os planos para o centenário, o momento da equipe, Valdivia e vários outros assuntos.

ESTADÃO - O otimismo da torcida ao ver o time na liderança da Série B também existe na direção?

PAULO NOBRE - Nem um pouco. Temos de ter seriedade contra todos os adversários e sabemos que não aconteceu nada ainda para empolgação. Todo mundo que enfrenta o Palmeiras faz o jogo do ano. Por isso, nenhum jogo está sendo fácil. A camisa é forte, mas não joga sozinha. Só vou comemorar quando o acesso vier. Até lá, cobro seriedade em todos os jogos. E que o placar de ontem (terça-feira, 4 a 0 sobre o Icasa) não engane.

ESTADÃO - Os jogadores também compraram essa ideia?

PAULO NOBRE - Com certeza. Temos elenco e comissão técnica comprometidos, que têm me dado muito orgulho. A gente perde e ganha junto. Esse é o segredo do Palmeiras de 2013. Contra o Icasa, por exemplo, o Ronny estava suspenso, mas foi ao jogo para nos apoiar. Dia desses o Léo Gago, de gesso na perna, estava lá. O time é muito unido e isso tem feito a diferença.

ESTADÃO - O Valdivia é um exemplo dessa mudança no elenco?

PAULO NOBRE - Estou muito satisfeito com o Valdivia. Eu acho que ele é um dos melhores em atividade no Brasil. Ele está comprometido e isso está sendo visto. Ele reencontrou a motivação para jogar e nos disse que quer colocar o Palmeiras na Série A e jogar pelo clube no centenário. Fiquei feliz ao ouvir isso de um jogador tão fantástico.

ESTADÃO - O time foi montado pensando na Série B. Para o ano que vem, provavelmente na Série A, haverá muitas mudanças?

PAULO NOBRE - Posso garantir que não será formado um novo elenco. O time é esse e poderá ser incrementado com contratações pontuais, em posições que entendermos precisarem de reforço. Não podemos começar do zero. A ideia é entrosar o time para 2014.

ESTADÃO - E o Gilson Kleina, fica?

PAULO NOBRE - Em relação ao Kleina, a comissão técnica é avaliada esporadicamente e, no fim do ano, vamos reavaliar a situação. Falaram que a gente não o mandou embora no fim do ano passado por causa de multa, mas isso é bobagem. Já temos dívidas bem maiores, então ter de pagar uma multa não seria determinante para a sua permanência. Ele ficou porque confiamos nele.

ESTADÃO - Foi difícil montar o elenco?

PAULO NOBRE - Eu vi muitos jogadores falando que não queriam jogar no Palmeiras porque estamos na Série B, e hoje eles nos procuram falando que querem jogar aqui. Isso nos dá orgulho. Se o jogador for útil para o time e pudermos contratá-lo no ano que vem, vou atrás dele sem problema. Não guardo rancor.

ESTADÃO - E a saúde financeira do Palmeiras, está melhor?

PAULO NOBRE -  Estamos reestruturando as finanças e cortando gastos desnecessários sem esquecer do nosso carro-chefe, que é o futebol profissional. Montamos um time dentro das nossas limitações para o grande objetivo, que é a Série B. Não ignoramos a Libertadores e o Paulista, mas não dava para montar um time em 15 dias.

ESTADÃO - Mas é possível enxugar as finanças e, ao mesmo tempo, preparar o time para 2014?

PAULO NOBRE - Se quisermos formar um "dream team", realmente será impossível. Não temos condições de dar grandes passos, como outros clubes brasileiros fazem. Mas montar um time competitivo é viável. Temos de lembrar que jogadores de expressão um dia não tiveram expressão. Confio nesse grupo e tenho certeza de que alguns jogadores que hoje estão com a gente se tornarão craques num futuro próximo.

ESTADÃO - Está mais difícil do que o esperado encontrar um novo patrocinador master?

PAULO NOBRE  - O palmeirense é ansioso, eu entendo. Acontece que as empresas fecharam os patrocínios entre setembro e outubro e nós tivemos de sair atrás disso em fevereiro. Nosso marketing trabalha incessantemente na busca por um patrocínio condizente com o tamanho do Palmeiras e até agora não conseguimos. Isso não é falta de trabalho e os torcedores precisam ter paciência. Eu não posso determinar uma data, porque chega setembro ou outubro e fico refém do que prometi hoje. Mas acredito que o Palmeiras num futuro próximo terá um patrocinador.

ESTADÃO - Quando você assumiu o clube, falou que iria apostar nas categorias de base, mas vemos apenas três jogadores da base atuando com frequência – Luis Felipe, Vinícius e Caio...E tem o Patrick Vieira...Mas ele está saindo (empréstimo para o futebol japonês)...

PAULO NOBRE - Sim, mas essa gestão vai levar a sério a base. Isso é uma promessa de campanha e acreditamos piamente que teremos frutos positivos dessa base a médio ou longo prazo. Trabalhos anteriores geraram frutos, mas esses jogadores não teriam chances de jogar agora. O Denoni tem muito talento, mas precisa jogar para ter bagagem, como aconteceu com o Souza. Alguns desses valores que não vão ter chance a gente empresta e monitora no clube para o qual ele vai, esperando que volte com mais bagagem.

ESTADÃO - E a negociação com o Grêmio envolvendo a saída do Barcos? Ainda pode vir um quinto atleta?

PAULO NOBRE - Não existe acordo para ter uma compensação financeira. Eram cinco jogadores e, no início da negociação, eu falei que queria que o Leandro tivesse uma possibilidade unilateral para ficarmos com ele por mais uma temporada. Existe ainda um quinto jogador que eu já deixei claro que não quero trazer apenas por trazer. Ou o jogador é necessário ou prefiro que nem venha. Só para inchar o elenco não faz sentido. No fim do ano vamos acertar com o Grêmio. Podemos trazer um jogador ou então renovar com o Léo Gago ou o Rondinelly por mais uma temporada e, assim, um deles ficaria como se fosse esse quinto jogador (Vilson chegou com contrato até o fim do ano com o Grêmio, então estará livre para renovar com o Palmeiras).

ESTADÃO - Por que acabar com as categorias profissional e sub-20 dos esportes olímpicos?

PAULO NOBRE - É importante destacar que acabaram apenas as categorias profissional e sub-20, as duas que mais geram custos. O futebol de salão, por exemplo, continua existindo do sub-7 ao sub-17. Se o Palmeiras tem um time profissional fraco e começa a ser goleado, você é bombardeado porque está expondo a marca do clube. Se você acaba com o time, também é criticado. O esporte amador só vai continuar na parte profissional desde que tenha como se sustentar, como aconteceu com o basquete. Em relação ao futebol de salão, teremos um intercâmbio com a base do futebol de campo para tentar revelar jogadores que possam ser usados no time de futebol.

ESTADÃO - Sente dificuldades no dia a dia para fazer essas mudanças tão drásticas no clube?

PAULO NOBRE - Muitas. Em toda quebra de paradigma você sofre resistência e tem dificuldades. Até as pessoas se conscientizarem de que é o melhor caminho, as críticas existirão. A minha gestão quebrou muitos paradigmas, um deles é a experiência. Sou o segundo presidente mais novo da história do clube. Fui eleito com 44 anos e no clube acham que você atingiu a experiência suficiente para ser presidente com pelo menos 60. Isso já foi quebrado e me dá vontade de mudar ainda mais.

ESTADÃO - O ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo disse que se assustou quando viu o que acontece no dia a dia do futebol. Você também sentiu isso?

PAULO NOBRE - Eu já fui vice-presidente e, com todo o respeito, quem quer ser presidente tem a obrigação de saber o que acontece lá dentro e não pode se assustar com isso. Chego ao clube às 9 da manhã e saio às 11 da noite. No domingo, eu descanso. Às vezes, eu acho que estou enganando o clube quando estou descansando. Estou acostumado a trabalhar e a lidar com tudo isso que faz parte do futebol.

ESTADÃO - Estão previstas novidades para os sócios do Avanti (programa de sócio-torcedor)?

PAULO NOBRE - No aniversário do clube (26 de agosto), anunciaremos algumas novidades. Entendemos que o programa não pode ser só um facilitador de ingressos em jogos difíceis. Tem de ter uma gama de vantagens, que façam com que o sócio se interesse mesmo por outros jogos e também seria bom que a mulher incentivasse o torcedor a se tornar sócio. Estamos estudando parcerias para descontos em cabeleireiro, supermercado, internet, jornal etc.

ESTADÃO - Os preços dos ingressos das partidas na Allianz Parque serão elevados?

PAULO NOBRE - Essa é a tendência. O ingresso será caro, mas o sócio-torcedor o terá mais barato. A ideia é que, em 2014, com a arena pronta, a gente cobre um preço mais elevado para quem não é sócio, com o objetivo de incentivar a adesão. Com isso, nós conseguimos rendas mais substanciais para ajudar o clube e ainda poderemos oferecer vantagens para quem nos ajuda financeiramente.

ESTADÃO - Acredita que a Copa do Mundo pode mudar o futebol brasileiro?

PAULO NOBRE - Espero que sim. Temos uma grande chance de nos organizar novamente e melhorar o futebol brasileiro, tanto em relação a calendário quanto na questão financeira. Confio que isso será feito.

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