Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Valdivia muda postura e reconquista o Palmeiras

Acusado de 'chinelinho' e dado como mau negócio, chileno dá volta por cima

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2013 | 07h48

SÃO PAULO - Valdivia já foi colocado como um mau negócio pelo ex-presidente Arnaldo Tirone, em entrevista ao Estado, e chamado de "chinelinho" por torcedores. Diante do descrédito geral, o chileno mudou seus atos ao perceber que seria o maior prejudicado se continuasse errante e hoje é um dos protagonistas na volta do Palmeiras para a Série A. O ponto fundamental para voltar a fazer a diferença no time foi a ajuda familiar. A mulher do jogador, Daniela Aranguiz, e seus dois filhos ajudaram a colocá-lo nos eixos. O apoio da diretoria do Palmeiras e o retorno à seleção chilena também o fizeram correr atrás do tempo perdido.

"Ele não se tornou um padre, longe disso, mas percebeu que, se não mudasse, sua carreira terminaria logo e ele se tornaria um vilão para os palmeirenses e para o povo chileno", disse uma pessoa ligada ao jogador. Ciente de que sua musculatura nunca mais será a mesma, o meia aprendeu que a hora de forçar um pouco mais e a de descansar se tornaram cruciais para a sua recuperação. Valdivia entendeu que pode continuar se divertindo na noite, mas com moderação. Tanto que faz questão de treinar até mais do que o pedido pela comissão técnica para ter maior confiança em campo.

A chegada de Paulo Nobre e José Carlos Brunoro ao poder o fez abdicar da ideia de deixar o Palmeiras. Com Tirone e o diretor Roberto Frizzo, várias foram as desavenças e as vezes em que se sentiu jogado contra a torcida e traído por quem deveria defendê-lo. Já a nova diretoria só tece elogios e deixa claro que espera muito dele. Valdivia é daqueles jogadores que precisam estar bem psicologicamente para render, por isso ter o apoio familiar e o dos chefes o faz se dedicar e mostrar uma vontade de menino.

Na seleção chilena, a relação com o técnico Claudio Borghi era a pior possível. Casos de indisciplinas e desavenças com o treinador o afastaram do time até a chegada de Jorge Sampaoli. O novo treinador adotou postura mais pacificadora e ganhou a confiança do meia que, assim como no Palmeiras, é um dos protagonistas da seleção. "Acredito que o Sampaoli e eu estamos contentes com o Valdivia, porque ele voltou a ser aquele que virou ídolo no Chile e no Palmeiras", comemorou o técnico Gilson Kleina.

CABEÇA QUENTE

Nem tudo, porém, são flores para o chileno. Seu temperamento continua lhe prejudicando e, neste ponto, ninguém conseguiu fazê-lo mudar de comportamento. Constantemente discute com a arbitragem e muitas vezes leva cartão – como aconteceu contra o Oeste. Ele também dá declarações polêmicas, como admitir ter forçado um cartão amarelo. Por causa disso, foi punido pelo STJD e recentemente disse que o tribunal fez uma palhaçada ao punir o clube por briga entre seus torcedores. Nesta quarta-feira, mais uma vez, discutiu em mídias sociais. Um torcedor disse que ele vivia em "baladas" e o Mago, sem papas na língua, xingou a mãe do torcedor.

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