28ª vítima teria ficado 7 horas soterrada em Petrópolis

Já chega a 28 o número de mortos em decorrência do temporal que atingiu Petrópolis, na Região Serrana do Rio, no último domingo. Drucilaine Alves Luminato, de 30 anos, estava internada desde a manhã de segunda-feira na UTI do hospital Santa Teresa e morreu por volta das 19 horas de terça-feira. Lana, como era conhecida, ficou sete horas soterrada e foi resgatada por vizinhos, já que todos os acessos ao bairro Alto Independência foram interditados por quedas de barreiras e os bombeiros demoraram a chegar.

MARCELO GOMES, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

20 de março de 2013 | 19h25

Outras seis pessoas da família dela também morreram soterradas. O único sobrevivente é o marido de Drucilaine, Rodrigo. Os dois filhos do casal, de 4 e 2 anos, também morreram. Os irmãos de Rodrigo, Jéssica e Diego, além de seus namorados, Lucas Matheus de Souza Araújo, de 18, e Luciana Moreira Guimarães, de 26, também não resistiram.

"Luciana foi encontrada abraçada com Diego. Estava no momento mais feliz da vida dela: ia se formar em Direito este ano, trabalhava na defensoria pública e estava planejando o casamento. Mas Deus sabe o que faz. Só queria que Ele passasse a mão no meu coração e levasse tudo que estou sentindo agora", disse Sueli Goldberg, mãe de Luciana.

Lucas e Jéssica estudaram juntos todo o ensino médio, namoravam há dois anos e também se casariam em breve. O rapaz cursava faculdade de Educação Física e integrava um grupo de dança; os corpos dos dois foram resgatados na terça. A tragédia também atrapalhou os planos de casamento de duas vizinhas de Drucilaine e Rodrigo. A casa das irmãs Tainara e Tainá Soares, de 19 e 24 anos, também foi atingida pela avalanche. Mas elas haviam deixado o imóvel junto com a mãe, Rosa, de 45 anos, e a avó delas, de 88, e se abrigaram no vizinho do lado esquerdo. O imóvel que desabou ficava à direita da casa delas.

"Perdemos nossa casa e o salão de beleza, que era nosso ganha pão. Eu e minha irmã íamos nos casar juntas em 12 de outubro. Mas, agora, nossa prioridade é arrumar um teto para viver", disse Tainara. Depois de demora na liberação dos corpos, a Justiça liberou somente na tarde desta quarta-feira a documentação para o sepultamento de quatro crianças vítimas do temporal: os irmãos Nicolás e Letícia Mauter Brender Fernandes, de 8 e 4 anos; e os também irmãos João Vitor e Rodrigo de Oliveira Vargas, de 2 e 4 anos. Os quatro seriam sepultados ainda nesta quarta. Os pais de Nicolás e Letícia, Pedro e Cristina, estão entre os desaparecidos do bairro Quitandinha.

Saques. Boatos de saques fizeram com que diversos moradores que abandonaram suas casas no Alto Independência retornassem nesta quarta ao bairro para retirar pertences de valor. Era intenso o vai e vem de pessoas carregando nas costas geladeiras, camas e até sofás. Policiais militares também estiveram na região para reforçar a segurança. "Soube que vizinhos já perderam dinheiro e até eletrodomésticos. Na noite de terça, me disseram que havia luzes aqui dentro de casa. Ora, se até agora a energia elétrica no bairro não voltou, só podia ser alguém de lanterna procurando algo para roubar", completou Tainá.

Buscas. No início da manhã desta quarta, bombeiros e militares do Exército retomaram as buscas na comunidade Vila São Joaquim, no bairro Quitandinha, onde estima-se que ainda há quatro corpos soterrados. Também houve buscas com o auxílio de cães farejadores nas manilhas que passam sob a rodovia BR-040, já que, na terça-feira, três corpos foram encontrados num rio que passa pelo local. As vítimas foram arrastadas do alto da comunidade até as margens da BR.

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