30% expostos à violência extrema em grandes cidades

Três em cada dez jovens de 31 das maiores cidades brasileiras estão expostos à violência extrema, com uma frequência que a torna a regra e não a exceção em suas vidas. Nada menos do que 88% deles já viram corpos assassinados (e muito mais do que um). Nos 12 meses anteriores à pesquisa (junho/julho de 2009), 64% desses jovens conviveram com pessoas circulando armadas pelas ruas, 58% testemunharam policiais agredindo ou intimidando alguém, e, mais grave, 45% presenciaram pelo menos um assassinato.

José Roberto de Toledo *, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Essas são apenas algumas das situações de violência pesquisadas. Usando técnicas estatísticas, os autores juntaram os jovens em seis agrupamentos, segundo características comuns, e, depois, dividiram-nos em dois grandes blocos, um deles o dos jovens com risco e/ou histórico de violência. A vantagem de empregar a análise de cluster, no caso, é identificar o perfil das vítimas e, a partir daí, traçar políticas com foco específico para atender esses grupamentos mais sujeitos à violência.

O jovem mais exposto ao risco de violência é preponderantemente do sexo masculino, tem entre 19 e 29 anos e é negro (declara-se de cor preta ou parda). Com mais frequência do que os demais jovens, é casado, trabalha sem registro formal, faz bicos para viver ou está desempregado.

Das 13 capitais pesquisadas, Recife apresenta o maior porcentual de jovens no grupo de risco. Praticamente metade da população de 12 a 29 anos está exposta à violência: 48%. Em seguida aparecem Salvador (43%) e Maceió (41%). Duas capitais do Sudeste também estão acima da média: Vitória (37%) e Belo Horizonte (34%). São Paulo tem 24% de jovens no grupo de risco, e o Rio, 29%.

O perfil socioeconômico e geográfico dos jovens mais expostos à violência guarda relação com o das vítimas de assassinato. Recife, Maceió e Vitória são algumas das capitais brasileiras com maiores taxas de homicídio. Jovens, negros e moradores de áreas pobres também correm maior risco de morrerem assassinados do que o resto da população.

A consistência dos resultados da pesquisa de opinião com o das estatísticas de mortalidade, embora preocupante, tem um lado positivo. Ela confirma a necessidade de políticas públicas específicas para os grupos de risco identificados. Para que esses jovens passem de alvos da violência ao de atenção especial da sociedade e do Estado.

* É jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.