40% dos índios vivem fora de suas terras, revela Censo

Quatro em cada dez índios brasileiros vivem fora das terras indígenas reconhecidas pelo governo, apontam dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O País tem 896,9 mil índios (0,47% da população brasileira) divididos em 305 etnias e que falam 274 línguas diferentes. O resultado surpreendeu os técnicos do IBGE, que partiram de informações preliminares da existência de 220 a 225 etnias e 180 línguas.

AE, Agência Estado

10 de agosto de 2012 | 12h34

Pela primeira vez, o IBGE fez o raio x do território indígena. Quase 380 mil índios (42,3% do total) vivem fora de terras próprias e 517,3 mil (57,7%) ocupam as 505 terras demarcadas, equivalentes a 12,5% do território brasileiro. Foram pesquisadas as terras regularizadas até dezembro de 2010.

Em metodologia diferente dos demais Censos, o IBGE levou em conta não apenas a população que se declarou indígena ao responder o quesito sobre cor ou raça, mas contou também aqueles que se consideram indígenas, mesmo que tenham se declarado brancos, negros, pardos ou amarelos.

O Censo encontrou 78,9 mil indígenas não declarados, que se somam aos 817,9 mil encontrados na pesquisa de raça. A soma dos indígenas declarados e não declarados inicia uma nova série histórica do Censo. Em 2000, foram contabilizados apenas os que declararam raça indígena. Eram 734,1 mil. A população de raça indígena cresceu na década 11,4%, proporção menor do que o total da população brasileira, que aumentou 12,2% entre 2000 e 2010.

"Para muitos indígenas, cor ou raça é uma classificação dos brancos. Eles podem responder que são pardos, por exemplo, mas se considerarem indígenas. Você pode perguntar qual é raça e ele responder ''xavante'' e não indígena ou amarelo ou branco", diz a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira. Esses quase 80 mil que se consideram mas não se declaram índios responderam ser pardos, na maioria (67,5%). Pouco mais de 22% se disseram brancos.

As terras indígenas somam 567,5 mil habitantes, mas 30,6 mil (5,4%) deles não se declaram nem se consideram índios. Segundo técnicos do IBGE, essa ocupação nem sempre é conflituosa. Em muitos casos, os habitantes não-indígenas são pessoas que se casaram com índios e passaram a morar nas áreas demarcadas ou pesquisadores, agentes de saúde, de assistência social, das Forças Armadas e outros profissionais que vivem nas terras indígenas sozinhos ou com suas famílias. Há casos que chamam atenção, como da terra indígena Fulni-Ô, em Pernambuco (município de Águas Belas, no sertão), em que 18,6 mil dos 23,8 mil habitantes são não-indígenas. A localidade, no entanto, luta pela preservação de sua cultura e é uma das raríssimas etnias nordestinas que manteve a língua original.

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