70% dos motoristas de SP criticam estacionamentos

Em uma metrópole que não para de crescer e onde um carro novo é emplacado a cada 5 minutos, nem pagando o paulistano consegue estacionar o veículo satisfatoriamente. Pesquisa inédita feita com 750 pessoas mostra que 70% dos motoristas têm críticas quanto à qualidade do serviço nas garagens de São Paulo e 67% deles não acham que pagar por uma vaga traz segurança.

BRUNO RIBEIRO, Agência Estado

07 de agosto de 2012 | 11h25

A frase "deixe a chave, por favor" é um dos principais motivos para o temor dos condutores, segundo a pesquisa encomendada pela consultoria de Engenharia de Tráfego TTC. Nos serviços de valet, não existe certeza, por exemplo, de que seu carro será parado em um estacionamento ou na rua.

"Você paga caro e eles ainda deixam o carro na rua. À noite, principalmente, você não tem certeza de onde o carro vai estar. Durante o dia, no centro, você não tem opção. Tem de parar no estacionamento, porque na rua não tem vaga", diz o empresário Luiz Carlos Alves Bentemuller, de 43 anos.

O medo da rua tem explicações estatísticas. O número de furtos de carros cresceu 5,8% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 22.293 casos na cidade. O número de roubos - quando o ladrão aborda o dono do veículo - cresceu ainda mais e bateu a marca de 22,3% de alta. Foram 23 mil casos nos seis primeiros meses de 2012. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública.

Qualidade

Segundo o consultor de trânsito Érico Zamboni, da TTC, a impossibilidade de levar a chave é só um dos fatores que fazem a avaliação dos estacionamentos ser ruim. "A qualidade do serviço também inclui facilidade de acesso tanto na entrada quanto na saída."

Ele explica que, em muitos locais, os carros são enfileirados para permitir que caibam mais veículos nas garagens. Assim, é preciso ficar com a chave. "Os manobristas precisam ficar tirando e colocando carros na fila." Quando o condutor volta ao local, para ir embora, e o carro está no fundo da garagem, ele precisa esperar que os veículos da frente sejam retirados.

A espera por uma vaga é outro fator levado em conta na pesquisa. Dos entrevistados, 49% dizem demorar, no mínimo, 10 minutos para encontrar um espaço para parar quando chegam ao destino. E 7% dizem que demoram mais de meia hora. O dado é geral e reflete a realidade encontrada por condutores tanto nas ruas quanto em estacionamentos pagos, como os de shopping centers. "O cuidado a se tomar com essa resposta é que não é um dado cronometrado. É a sensação que o entrevistado tem", pondera Zamboni.

Preços

A pesquisa não abordou um dos fatores mais importantes na hora da escolha entre parar no estacionamento ou na rua: o preço. O valor dos estacionamentos na cidade tem crescido porcentualmente acima da inflação, na comparação entre junho de 2011 e junho deste ano. O aumento foi de 10,77%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A inflação medida, no mesmo período, foi de 4,15%.

"Existe uma demanda grande de oferta de estacionamentos, mas a oferta que existe não está atendendo às necessidades do motorista", afirma Zamboni.

A reportagem procurou o Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark), mas a presidência da entidade não respondeu às ligações. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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