8 milhões de bebês nascem com defeitos genéticos, diz estudo

Quase oito milhões de crianças em todo o mundo nascem com algum defeito genético a cada ano, segundo relatório publicado nesta terça-feira pela organização americana March of Dimes, que coletou dados de 193 países.O estudo - o primeiro global sobre o assunto - mostra que, ao todo, 3,3 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morrem, por ano, devido a algum defeito congênito.A estimativa é de que, entre os que sobrevivem, 3,2 milhões convivam com deficiência física ou mental pelo resto da vida. Ao todo, a organização concluiu que cerca de 6% dos bebês nascidos no mundo sofrem defeitos genéticos. Álcool e drogas Além desses, centenas de milhares de bebês nascem com defeitos sérios ligados à exposição ao álcool, ou infecções como rubéola ou sífilis - mas esses não estão incluídos no relatório.A organização alega que esses defeitos poderiam diminuir em 70% se fossem adotadas medidas simples, como receitar ácido fólico para todas as mulheres grávidas, para minimizar o risco de espinha bífida.Segundo o relatório, a grande maioria dos bebês que nascem com defeitos é de países pobres ou em desenvolvimento. Os cinco defeitos de nascimento mais comuns são: problemas cardíacos congênitos (cerca de 1 milhão de nascimentos), defeitos no tubo neural, como a espinha bífida (323.904), desordens ligadas à hemoglobina, como talassemia e células falciformes (307.897), Síndrome de Down (217.293) ou deficiência da enzima G6PD (177.032).Primeiro estudo Segundo a presidente da March of Dimes, Jennifer Howse, "o relatório identifica pela primeira vez os graves, e antes escondidos, números globais sobre defeitos de nascimento".De acordo com o relatório, a incidência desses defeitos é maior em países pobres porque nesses países, as mulheres tendem a ter filhos mais velhas, e o casamento entre parentes é mais comum.Em países afetados pela malária, uma maior proporção da população tem o gene que aumenta o risco de doenças como célula falciforme e anemia.A March of Dimes afirma que é preciso educar a comunidade, os profissionais de saúde e os responsáveis pelas políticas de saúde nesses países, sobre como diminuir o risco desses defeitos.Fazer com que as mulheres tenham uma dieta mais saudável e equilibrada em seus anos reprodutivos também teria um impacto significativo, bem como um maior controle de infecções durante a gravidez.O principal autor do relatório, Arnold Christianson, da Universidade de Witwatersrand, da África do Sul, disse que os defeitos de nascimento não têm sido levados em consideração nos esforços para melhorar a saúde das crianças."Muito pode ser feito por todos os países para evitar defeitos de nascimento, e chegou a hora de eles começarem a implementar essas medidas", declarou.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2006 | 15h10

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