85% dos brasileiros evitariam uso de sacolas

Pesquisa do governo mostra que 48% separam o lixo em casa, mas apenas 496 municípios têm coleta seletiva

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h08

O interesse dos brasileiros por ações que ajudem o meio ambiente existe, mas governos e mesmo ONGs não apenas não aproveitam, como algumas vezes atrapalham.

A pesquisa O que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável, divulgada ontem pelo Ministério do Meio Ambiente, mostra que 85% dos entrevistados estariam dispostos a evitar o uso de sacolas plásticas. No entanto, apenas 19 cidades do País investiram na abolição desse material.

Entre os 2,2 mil entrevistados, 48% fazem hoje a separação do lixo em casa, mas apenas 496 dos 5.564 municípios brasileiros têm coleta seletiva.

"Não há harmonia entre a disposição da população e as políticas públicas. Essa disposição precisa ser melhor aproveitada, pelo poder público e pelas ONGs", analisa Samyra Crespo, secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério e coordenadora da pesquisa.

Essa boa vontade nem sempre se traduz em atitudes realmente sustentáveis. Apesar de garantirem que adeririam a uma campanha para evitar as sacolas plásticas, apenas um terço dos entrevistados leva sua própria sacola ou carrinho ao supermercado e 31% dizem evitar o uso das sacolas de alguma forma - com caixotes de papelão, por exemplo.

O tema em muitos casos acaba na Justiça. Além das 19 cidades que conseguiram abolir as sacolas plásticas com campanhas, três capitais criaram leis locais que terminaram na Justiça, como em São Paulo. Em Belo Horizonte e Vitória, quando a legislação foi suspensa na Justiça, as prefeituras optaram por intensificar as campanhas. "Houve um avanço muito grande nessas capitais", afirma Samyra.

A secretária explica que, ao contrário da reciclagem, o fim das sacolas plásticas não integra a legislação dos resíduos sólidos e as únicas leis, quase sempre contestadas, são mesmo as estaduais. Apesar da posição totalmente contrária do ministério, há uma questão cultural e econômica: o brasileiro usa as sacolinhas para colocar o lixo.

Já a reciclagem faz parte da lei nacional e até 2014 todos os municípios brasileiros terão de implementá-la - hoje são menos de 10%, apesar do interesse das pessoas em pelos menos fazer a separação. De acordo com a secretária do MMA, uma das reclamações dos entrevistados foi a falta de reciclagem nas suas cidades e a impressão de que, apesar do esforço das pessoas, a prefeitura termina por misturar o lixo.

Desinformação. Ainda assim, a pesquisa mostra que falta informação na hora do descarte e boa parte dos entrevistados nem sempre faz o mais correto. Pouco mais de 40% dizem que sempre jogam pilhas e baterias usadas no lixo e 32% fazem o mesmo com remédios vencidos. Ao mesmo tempo, só 16% costumam jogar o óleo usado na pia, uma das práticas mais poluidoras.

"Os hábitos de descarte da população ainda são altamente predatórios", afirmou Samyra, explicando que não há como a lei punir o que é feito dentro de casa. "O desafio é informar e convencer as pessoas. Não se pode legislar na vida privada", explicou.

O estudo, que é feito periodicamente desde 1992, mostra que a consciência ambiental dos brasileiros vem aumentando. Na primeira edição, 47% não sabiam dizer ou achavam que não existiam problemas ambientais no País. Este ano, o índice é de 11%.

Também aumentou o número de pessoas que conhecem os principais conceitos ligados ao tema, como desenvolvimento sustentável e biodiversidade.

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