Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo
Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo

A Bienal abraça São Paulo

O modelo colaborativo da mostra irá fortalecer a economia da cultura na cidade com a geração de milhares de empregos

José Olympio da Veiga Pereira *, Especial para o Estado

07 de fevereiro de 2020 | 06h00

A Bienal de São Paulo dá início à sua 34.ª edição neste sábado, com uma exposição individual da artista peruana Ximena Garrido-Lecca e uma performance inédita do músico sul-africano Neo Muyanga em conjunto com o coletivo teatral paulistano Legítima Defesa e a artista Bianca Turner. 

O evento acontece sete meses antes da abertura da grande mostra coletiva e constitui o momento inicial de um projeto curatorial que irá se ampliar ao longo do ano. Com esta programação, a Bienal confirma ser não apenas um evento pontual no calendário da cidade, mas uma plataforma permanente de diálogo e de estímulo às artes.

Em 2020, a agenda da Bienal será intensa, com três mostras individuais e três performances no Pavilhão da Bienal entre fevereiro e agosto, até que a maior mostra de artes da América Latina abra seu capítulo final para o público, em setembro, apresentando um panorama da melhor produção contemporânea. 

A expansão das atividades, entretanto, será maior. A Bienal formou uma rede com 26 instituições paulistanas, as quais incluirão em seus programas eventos integrantes da 34.ª Bienal. Em sua maioria, serão exposições individuais e performances de artistas que também poderão ser vistos no Pavilhão a partir de setembro.

Intitulada Faz Escuro Mas Eu Canto, um verso do poeta Thiago de Mello que ganha novas camadas de significado neste complexo momento mundial, a mostra não se furta a tratar do atual contexto de polarização, na convicção de que a arte pode ser um poderoso caminho para abrir novas perspectivas. Com a estrutura proposta, a Bienal quer expor diferentes pontos de vista e mostrar que a pluralidade é essencial para construirmos uma sociedade democrática e solidária.

Construído em diálogo pelos cinco integrantes do corpo curatorial a partir da ideia de uma “poética da relação”, o projeto curatorial desta edição tem a diversidade de opiniões e histórias como ponto de partida. A equipe do italiano radicado no Brasil Jacopo Crivelli Visconti é composta por curadores com trajetória pessoal marcada pela experiência de trânsito e confronto com outras culturas, algo sintomático da multiplicidade de perspectivas que a mostra vai trazer, ajudando a refletir sobre um momento histórico marcado por correntes migratórias e pela convivência de diferentes matrizes culturais.

O modelo colaborativo da mostra também irá fortalecer a economia da cultura em São Paulo, com a geração de milhares de empregos pela Bienal e seus parceiros. Além dos artistas, centenas de educadores, montadores, produtores, técnicos e especialistas estarão mobilizados em torno da 34.ª Bienal ao longo do ano. O impacto de negócios será sentido ainda com a movimentação da rede hoteleira, restaurantes, bares, comércio e serviços, num ciclo virtuoso embalado pela experiência e fruição das artes.

No âmbito educacional, milhares de estudantes das redes pública e privada irão passar pelas mostras, levando os jovens a terem contato e refletirem sobre a arte e as ideias por trás das obras expostas, preparando-os para um mundo que exige cada vez mais criatividade e compreensão de problemas complexos.

Com esse formato, a Bienal abre um novo ciclo de interações com a cidade e busca promover o diálogo entre os diferentes e a escuta, além de aproximar distintas visões de mundo neste momento de intensa fragmentação. Envolver a metrópole e levar arte às suas mais diferentes regiões, rompendo fronteiras geográficas e ideológicas, é o nosso modo de dizer que a 34.ª Bienal está pronta para abraçar São Paulo.

* José Olympio da Veiga Pereira é presidente da Fundação Bienal de São Paulo

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