A boa hora do rosado

Opções não faltam - dos mais encorpados aos leves, frescos, ideais para beber com despreocupação. Mas lembre-se: o rosado é um vinho para ser tomado jovem. Em Madri, os bares de tapas, gostosos e informais, favorecem estes vinhos igualmente descontraídos

Saul Galvão,

19 de março de 2009 | 11h09

O rosado continua na moda. Está num círculo virtuoso e melhora a cada dia em muitos países, entre os quais se destaca a Espanha. Lá tem longa tradição e é consumido com valentia, favorecido também pelo modo de vida de muitos espanhóis, que gostam de beber despreocupadamente com os amigos consumindo tapas, pequenas porções servidas nos bares.Em Madri, esses bares fervilham: são ambientes animados, barulhentos, gostosos e informais, que favorecem vinhos igualmente descontraídos, como os rosados. O número de tapas é infinito. São comuns as tortillas, os pães com presunto, salames e outros embutidos; e as que utilizam frutos do mar, como polvo, camarões, peixes, conservas, etc. As tapas são colocadas em pratinhos no balcão e os frequentadores pegam diretamente.Opções de rosados não faltam, dos mais encorpados, algumas vezes com passagens pelas barricas de carvalho (mais raros), aos ligeiros, frescos, ideais para beber com despreocupação. Todos devem ser tomados jovens.Basicamente, onde há uvas tintas há a possibilidade de fazer rosados, que são, no fundo tintos interrompidos. O que dá a cor ao vinho é a casca da uva. Na fermentação de um tinto, as cascas ficam longamente em contato com o líquido para este "pegar" a cor. Num rosado, as cascas são separadas depois de um espaço de tempo consideravelmente menor.Na Espanha a Garnacha, uva do Mediterrâneo, que gosta do calor, é a principal para compor rosados. Ela aparece em quase todas as denominações de origem do país, muitas vezes em cortes aos quais costuma emprestar potência, álcool. É uma das tintas mais plantadas no mundo. Concentra-se principalmente na Espanha, mas também tem presença importante no sul da França (Grenache). A Navarra, no norte, vizinha da Rioja, há muito tem uma posição de destaque. Ali, a Garnacha ocupa mais da metade dos vinhedos. Há ainda muitos rosados na Rioja, a excelente zona onde os tintos (e rosados) costumam ser feitos com misturas de Tempranillo (majoritária, de mais classe) e Garnacha. Além dos citados, agradou também o Enate Cabernet Sauvignon Rosado 2006 de Somontano, também no norte do país. (R$ 48 na Expand, tel. 3847-4747). GRAN FEUDO 2007Onde encontrar: Mistral, tel. 3372-3400Preço: R$ 43,28Cotação: 87/100Rosado que vem mantendo um bom nível há tempos. O tipo de vinho ideal para beber despreocupadamente com os amigos. Da Julian Chivite, um grande e conceituado produtor da denominação Navarra, que tem longa tradição na elaboração de rosados. Puro uva Garnacha, que é muito usada em tais vinhos. Vinho de um rosado claro, muito agradável na boca. A primeira impressão foi apenas razoável. Aroma meio tímido, que demorou para aparecer um pouco. Melhorou consideravelmente na boca. Muito refrescante. Leve, não dos mais concentrados e bem seco. O tipo de vinho ótimo para bebericar, pedindo sempre o próximo gole. Deixou sensação agradável, de boca limpa e refrescada. 12% de álcool. TORRES DE CASTA 2006Onde encontrar: Empório Frei Caneca, Tel. 3472-2082Preço: R$ 49Cotação: 87/100A Torres é uma das maiores e melhores produtoras da Espanha. Um grande nome no mundo dos vinhos, com produtos de muitos tipos e preços. A denominação de origem é Catalunya, um tanto genérica. A Catalunha é uma grande região, com muitas sub-regiões e denominações mais específicas. Em sua composição, segundo o rótulo, entram 65% de Garnacha e 35% de Cariñena, duas uvas bastante difundidas na Espanha. Cor bem pronunciada, evocando cereja. Bem escurão. Aroma bom, porém pouco intenso. Aroma evocou algo vegetal. Na boca, parecia outro vinho, com um bom corpo para um rosado. Pode ser servido ao aperitivo e com vários pratos. Algo de groselha. Ficou sensação frutada e gostosa na boca. 13% de álcool.  CONDE WALDEMAR 2007Onde encontrar: Mistral, tel. 3372-3400Preço: R$ 49,45Cotação: 90/100Um rosado muito acima da média, ótimo para bebericar e melhor para a mesa. Provavelmente o melhor que provei nos últimos tempos. De Rioja, uma das principais denominações da Espanha. A Garnacha domina em sua composição (85%), complementada pela Tempranillo, a grande uva tinta da Rioja.Começou a agradar pela aparência. Cor de cereja bem viva, muito bonita. Aroma intenso, gostoso, frutado, lembrando groselha. Continuou no mesmo nível na boca. Ataque impressionou pela concentração de sabores e foi mantendo a qualidade até o final. Ao mesmo tempo encorpado e refrescante, com ótima acidez. Muito equilibrado.Deixou gosto mais do que atraente na boca. 13% de álcool.  PROTOS 2007Onde encontrar: Península, tel. 3822-3986Preço: R$ 58Cotação: 89/100A Protos reúne bons produtores de Ribera Del Duero. Uma cooperativa que foi transformada com sucesso em empresa privada. Elaborado exclusivamente com a uva Tinta Del País, que é o nome local da Tempranillo. Cor intensa. Bem escurão para um rosado. Aroma de primeira, complexo e potente. Frutas e também evocações florais. Na boca, cumpriu o que o aroma prometeu. Excelente para bebericar e com corpo suficiente para acompanhar alguns frutos do mar. Frutado, perfumado, leve e concentrado. Ótima acidez, refrescante. Frutas tropicais e evocações de morango na boca. Jovem, gostoso e longo. O paladar perdurou muito agradavelmente na boca. 13,5% de álcool.

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