Dida Sampaio/Estadão
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A competência do ministro

Ao elogiar publicamente o ministro Meirelles, a presidente Dilma pode ter pretendido passar o recado de que, se conseguir safar-se do projeto de impeachment, estaria disposta a manter Meirelles à frente da área econômica. Mas, nesse caso, não bastaria querer.

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2016 | 21h00

Sem mais aquela, em entrevista à Rádio Capital concedida terça-feira, a presidente afastada Dilma Rousseff reconheceu que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “é uma pessoa competente, na área dele”.

Não ficou claro o que pretendeu dizer. Várias vezes o ex-presidente Lula pressionou a presidente Dilma para que nomeasse Meirelles para conduzir a política econômica. Mas Dilma rejeitou a sugestão, seja porque entendeu que o perfil do atual ministro fosse neoliberal demais para o que pretendia, seja porque temesse por dar asas excessivas às ambições políticas dele.

Ao elogiar publicamente o ministro Meirelles, a presidente Dilma pode ter pretendido passar o recado de que, se conseguir safar-se do projeto de impeachment, estaria disposta a manter Meirelles à frente da área econômica.

Mas, nesse caso, não bastaria querer. Seria necessário, também, que Meirelles aceitasse ficar, o que parece improvável. Ele não está sozinho no governo Temer, está acompanhado de uma equipe de técnicos talentosos que também precisariam aceitar permanecer num suposto prolongamento do seu governo.

Também não bastaria que Meirelles e sua equipe de notáveis estivessem dispostos a ocupar seus atuais cargos numa nova fase do governo Dilma. Seria necessário que a política econômica do período Temer, baseada na recuperação dos fundamentos da economia e no enxugamento do Estado, também viesse a ser adotada.

E este é o maior problema. Até agora nenhum dos responsáveis pela política econômica do governo Dilma admitiu os graves erros de opção e de condução da economia, que desembocaram no desastre já conhecido. Ao contrário, os políticos do PT, hoje na oposição, sempre que podem desancam a atual política, com as pichações de praxe: que se trata de proposta neoliberal em proveito dos “rentistas”, contra os interesses da população e dos trabalhadores; que está centrada no arrocho e na privatização, para eles condenável; e que pretende levar adiante reformas da Previdência e das leis trabalhistas que contrariam o interesse do trabalhador.

Em nenhum momento a presidente Dilma chegou a avançar que política econômica pretenderia adotar, caso voltasse ao governo: se mais da mesma praticada no primeiro ano do seu segundo mandato; ou se outra, diferente da atual.

Nos últimos documentos que vieram a público, especialmente no Programa Nacional de Emergência, de fevereiro deste ano, o PT defendeu a continuação de um keynesianismo tosco, baseado no aumento das despesas públicas, na derrubada dos juros, na queima de reservas externas, no aumento da distribuição de uma renda hoje altamente insuficiente, na expansão do consumo, no aumento da taxação (sobre os mais ricos), enfim, baseado em tudo que já deu errado.

Vai que a presidente Dilma pretendeu dizer que Meirelles é competente no que faz, mas o que faz está errado para ela. E, outra vez, ficamos sem saber quais seriam as novas lambanças que poderiam sobrevir da rejeição do projeto do impeachment pelo Senado.

CONFIRA:

No gráfico, a evolução do setor de serviços nos últimos dois anos. 

 

Pesa muito

Como pesa nada menos que 70% no PIB, o desempenho do setor de serviços é um indicador importante da atividade econômica. Os resultados continuam ruins, mostrando que a perda de renda, o desemprego e a inflação vêm atingindo fortemente o setor. 

 

Negativo

Os números de maio, os piores da série histórica iniciada em 2012 para o mês, sugerem que o avanço do PIB do 2.° trimestre continua negativo.

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