À CPI, Gurgel defende decisão de não abrir inquérito em 2009

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defendeu nesta quarta-feira sua decisão de não pedir abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal quando recebeu em 2009 informações da Operação Vegas, realizada pela Polícia Federal.

REUTERS

23 Maio 2012 | 21h45

Em respostas enviadas por escrito à CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira com políticos e empresas, Gurgel argumentou que não havia indícios à época para a instauração de inquérito e que sua decisão permitiu o aprofundamento das investigações, que resultaram na Operação Monte Carlo e na prisão de Cachoeira em fevereiro deste ano, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

"Se assim não tivesse agido a Procuradoria Geral da República, não se teria desvendado o grande esquema criminoso protagonizado por Carlos Cachoeira, compreendendo não somente a exploração de jogos de azar", disse Gurgel em documento enviado à CPI.

Desde o começo dos trabalhos da CPI, alguns membros da comissão, principalmente petistas, têm pressionado Gurgel por explicações. Eles levantaram dúvidas sobre o que consideram a demora do procurador em pedir abertura de inquérito, já que recebeu em 2009 as informações da Operação Vegas.

Apenas neste ano Gurgel ofereceu denúncia ao STF.

Alguns parlamentares, que têm foro privilegiado e só podem ser julgados no Supremo, são citados nas operações, entre eles o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) que, segundo denúncias na imprensa, foi flagrado em conversas telefônicas com Cachoeira, relatando, por exemplo, encontros reservados que manteve com autoridades.

Outros parlamentares citados são os deputados Sandes Júnior (PP-GO), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ).

Em resposta às críticas dos parlamentares, o procurador chegou a afirmar no início do mês que os que levantavam suspeitas sobre o seu procedimento estavam tentando atingi-lo por causa do julgamento do Mensalão, que deve ocorrer nos próximos meses no STF.

Como procurador-geral, Gurgel é responsável pela acusação dos 38 réus do processo do Mensalão, escândalo deflagrado em 2005 durante governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político.

A CPI chegou a debater a convocação de Gurgel, mas os parlamentares optaram por lhe cobrar explicações escritas. Contudo, se as respostas não satisfizerem a comissão pode ser que a pressão para chamá-lo ao Congresso aumente.

Gurgel, que chegou a rejeitar convite para prestar esclarecimentos à CPI, alegou que legalmente não poderia comparecer perante a comissão e que pode prestar esclarecimentos limitados aos parlamentares. Caso contrário, segundo ele, sua atuação como acusador em um processo no STF sobre o caso poderia ser questionada.

(Por Eduardo Simões)

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