'A decisão foi totalmente política'

O pesquisador Francisco Paum-gartten é contra a decisão da Anvisa. Ele é membro da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme), que fez o relatório pedindo a proibição dos emagrecedores. Para ele, a agência cedeu a pressões.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2011 | 03h02

O que o senhor achou da decisão de manter a sibutramina?

Já era esperada, porque as coisas estavam caminhando para isso. Mas acho péssima a decisão, foi totalmente política.

Houve pressão?

Sem dúvida, especialmente de dois setores muito fortes: das farmácias de manipulação, que vão perder faturamento com a saída desses medicamentos, e dos médicos que os prescrevem para tratamento da obesidade. Além do CFM, que, em vez de ser o guardião da ética, exerceu um papel lamentável.

A Anvisa diz que vai aumentar ainda mais o controle.

Isso não muda quase nada o que já existe. A única novidade é obrigar o paciente a assinar um termo de responsabilidade, o que é antiético.

Essa seria uma forma de isentar a agência caso ocorra algum problema?

Teoricamente sim, o que é absolutamente inaceitável. Isso não protege o paciente e sim a Anvisa e o médico. Agora, se esse termo será aceito nos tribunais, é outra história. / F.B.

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