A disputa pelos médicos renomados

Eles garantem o atendimento, levam os pacientes e atraem os holofotes; hospitais não medem esforços para ter os melhores

, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

Por trás da corrida entre os hospitais Einstein e Sírio-Libanês para atrair pacientes e convênios, existe uma outra guerra, silenciosa, que envolve prestígio e vaidade: a disputa pelos principais nomes da medicina.

Os dois hospitais têm estratégias próprias e não medem esforços para contratar os melhores profissionais de cada setor. Afinal, além de garantir o atendimento, são os médicos de renome que levam os pacientes e atraem os holofotes para as instituições.

Para ser credenciado pelo Einstein, é exigida a indicação de um médico que trabalhe no local, além da avaliação de currículo. No Sírio-Libanês não é diferente: o histórico do candidato também é avaliado e recomendações de quem está lá dentro são bem-vindas.

No entanto, enquanto o Einstein valoriza processos de excelência, segundo Claudio Lottenberg, superintendente do hospital, o Sírio tem se preocupado em oferecer aos médicos espaço para que valorizem seus projetos de estudo e assistência, explica Paulo Chapchap, superintendente no local. "No Einstein você sempre será o "Dr. Einstein". Sem sobrenome", disse ao Estado um radiologista que pediu para não ser identificado.

Nos corredores do Sírio, o cardiologista Roberto Khalil, médico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um insistente defensor do hospital - costuma cobrar jornalistas quando não vê o nome do Sírio citado em reportagens sobre cardiologia -, não raro tenta "seduzir" colegas de renome, pedindo que apresentem projetos próprios.

Foi com a oferta de um projeto pessoal que o Sírio tirou do Einstein, por exemplo, o renomado oncologista Arthur Katz, com especialização no também reconhecido Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York. Também atraiu, após passagem pelo Einstein e uma temporada nos EUA, para dirigir a oncologia, Paulo Hoff, que atende a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT) e o vice-presidente José de Alencar. Hoff dirige ainda o Instituto do Câncer do governo de São Paulo, menina dos olhos do também candidato à presidência José Serra (PSDB).

"Não se trata de compra ou venda de passe, as pessoas na minha área são movidas a projeto", diz Katz. "Havia um projeto interessante. O Einstein se destaca como um hospital geral, tem maternidade, obstetrícia, medicina neonatal, o que o Sírio não tem. Mas no Sírio há o foco na oncologia", explica.

Gratuidade. Entre os atrativos usados por ambos os hospitais está a oferta de atendimento gratuito para a família do médico requisitado - regalia restrita aos profissionais de peso. Mas ambos exigem a internação de um paciente pelo menos uma vez ao ano, explicaram profissionais.

Há também médicos credenciados nos dois hospitais, como o infectologista David Uip. "Minha preocupação é se há médicos bons o suficiente para essa expansão que Einstein e Sírio estão fazendo", diz ele. Nos últimos anos, ele tem preferido internar pacientes no Sírio por "questões logísticas" - citando a proximidade com o centro da cidade.

O psiquiatra Arthur Guerra, também credenciado em ambos, tem predileção pelo Albert Einstein. "Sou da USP (Universidade de São Paulo) e os profissionais da USP usam mais o Sírio, pela proximidade; o Einstein é o preferido pelo pessoal da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Mas tenho uma ligação muito boa com o Einstein, que considero mais ambicioso. Visa a ser, e já é, um dos grandes hospitais do mundo."

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