A elegância discreta do simples

A elegância discreta do simples

Os pratos mais simples são os mais difíceis de fazer. Isso porque, quando trabalhamos com poucos ingredientes, um pequeno erro pode resultar em desastre. É exatamente o caso do sobá. Essa massa japonesa é feita apenas com trigo-sarraceno, trigo comum e água. Como o trigo-sarraceno não contém glúten, é necessário usar uma porção de trigo para tornar a massa coesa. E aí começam os problemas. A proporção varia conforme a qualidade do sarraceno e de quanto a farinha está seca. Depois é preciso equilibrar a quantidade de água e a técnica de sova - a massa tem de ser aberta e cortada em seguida porque logo resseca e esfarela. Aí se cozinha, escorre, esfria, lava. E há o risco de a massa ficar quebradiça.

Marisa Ono, chefe de cozinha,

11 Abril 2012 | 22h11

Não tenho o hábito de fazer sobá em casa, minha mãe é alérgica. Já meu pai gostava muito. Nos últimos anos de sua vida, sempre que podíamos, saíamos para almoçar aos sábados. No verão, era muito raro ele não pedir um ten-zarusoba, o sobá frio, servido sobre uma peneira (zaru é peneira em japonês), com um caldo de sabor intenso à base de peixe e shoyu e, à parte, um belo prato de tempura. Ele gostava desse prato não apenas pelo sabor ou pelo fato de ter nascido na província que mais produz sarraceno no Japão. O que ele mais gostava era da elegância.

MARISA ONO É CHEF DE COZINHA

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