A EMPATIA DO CÃO PELO HOMEM

Teste mostra reação canina a bocejo do dono

O Estado de S.Paulo

13 Maio 2012 | 03h06

Boceje perto de seu cão, e ele poderá fazer o mesmo. Embora pareça simples, esse comportamento contagioso é na verdade admirável: somente alguns animais o têm, e somente os cães cruzam a barreira das espécies.

Um novo estudo revela que os cães bocejam mesmo quando apenas ouvem o som do nosso bocejo, a evidência mais forte já observada de que os cachorros são capazes de ter empatia conosco.

O bocejo contagioso também foi observado em babuínos-gelada, macacos-urso e chimpanzés. Os humanos tendem a bocejar mais com amigos e conhecidos, sugerindo que "pegar" o bocejo de alguém pode estar ligado a sentimentos de empatia.

Da mesma maneira, alguns estudos revelaram que os cães tendem a bocejar mais após ver pessoas familiares bocejando. Mas não está claro se o comportamento canino está associado à empatia.

Para tirar a dúvida, cientistas da Universidade do Porto, em Portugal, recrutaram 29 cães, todos com pelo menos seis meses de convivência com seus donos. O estudo foi conduzido na casa onde viviam os cachorros e na presença de uma pessoa conhecida, mas sem nenhum contato visual com os donos.

A equipe, chefiada pela bióloga Karine Silva, gravou sons de bocejos dos donos dos cães e de uma mulher não familiar e também um som de controle artificial consistindo de um bocejo invertido por computador. Para ajudar a induzir o bocejo natural, voluntários ouviram com fones de ouvido um trecho de áudio de bocejos previamente gravados.

Cada cão ouviu todos os sons em duas sessões realizadas com um intervalo de sete dias. Durante as sessões, os pesquisadores mediram o número de bocejos obtidos de cães em resposta aos sons de pessoas conhecidas e desconhecidas.

No estudo, 12 de 29 cães bocejaram durante o teste. Em média, os caninos bocejaram com frequência cinco vezes maior quando ouviram humanos conhecidos. "Os resultados sugerem que cães têm capacidade de sentir empatia com humanos", diz Karine.

As pessoas começaram a domesticar cães há pelo menos 15 mil anos, e desde então nós os criamos para realizar tarefas cada vez mais complexas, de caçar a guiar cegos. Esse relacionamento estreito pode ter promovido uma empatia entre espécies ao longo dos milênios.

Ádám Miklósi, um etologista da Universidade Eötvös Loránd em Budapeste, comenta: "Usar comportamentos como indicadores só mostrará alguma similaridade de comportamento, mas não nos dirá se a empatia canina, seja lá o que isso for, é equivalente à empatia humana".

Estudos anteriores mostram, por exemplo, que quando cães parecem culpados, eles podem não estar realmente sentindo culpa. / SCIENCENOW; TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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