'A escolha é de quem pode escolher'

Assumir tendo sido a terceira colocada na votação interna não pode causar um mal-estar com o Conselho Universitário?

Entrevista com

OCIMARA BALMANT , O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h00

Pode haver algum tipo de dificuldade, mas vamos trabalhar e acredito que a universidade vai acabar assumindo que a escolha é de quem pode escolher, o dono da casa, que é o chanceler, que tem o direito estatutário de escolha. Respeito o Conselho Universitário e sei que qualquer um dos três da lista tríplice quer o bem da universidade.

A senhora assume em um momento em que a instituição sofre com a diminuição do número de alunos. Como reverter isso?

Precisamos focar em nosso diferencial, a excelência acadêmica, e ter cursos com nota máxima no Enade (prova do MEC que avalia os cursos de graduação). Apesar de a maioria de nossos cursos ser bem pontuada, houve um ou outro com problemas e precisamos melhorá-los.

Qual será sua prioridade?

Ainda não tive acesso aos dados. Precisamos estudar a possibilidade de uma requalificação de um espaço físico, principalmente no câmpus Monte Alegre, em Perdizes, e investir em melhorias técnicas.

E há a dificuldade financeira...

É uma questão velha e, como reitora, tenho de trabalhar em projetos de captação de recursos com pessoas competentes.

A senhora diz que os problemas de gestão e administrativos se tornaram mais sistêmicos nos últimos anos. Como resolvê-los?

Um dos problemas é a falta de agilidade. Não dá para ficar com um currículo circulando pela universidade por dois anos. A universidade precisa superar essas dificuldades de tramitação que faz com que até se percam oportunidades.

Uma de suas propostas é a revitalização da vida estudantil. Mas, no ano passado, o reitor suspendeu as atividades acadêmicas por um dia para evitar a realização de um festival da maconha.

Isso tem de ser discutido do ponto de vista da legislação e da função do espaço da universidade. Se puder, faz. Se não puder, não faz. Mas é preciso habilidade para resolver na conversa.

No início do ano, um bispo de Guarulhos defendeu que docentes com ideias contrárias às da Igreja Católica não deveriam lecionar na PUC. Qual sua opinião?

A universidade é lugar de produção de conhecimento e pode discutir tudo. Acho que a Igreja pode entrar no diálogo.

O professor deve ser livre para dizer que é favorável ao aborto? Sim. Só não pode incitar, obrigar o aluno a aceitar suas ideias.

E o Enem? A PUC deve usá-lo como critério único de seleção?

Há uma discussão interna para uso em algumas áreas e eu apoio. Se o exame se consolidar, a tendência é essa.

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