A exploração do planeta vermelho vale o investimento?

Análise: Eryn Brown

É REPÓRTER DE CIÊNCIA DO LOS ANGELES TIMES, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2012 | 03h04

Os humanos já lançaram 40 veículos espaciais a Marte, seduzidos pela perspectiva de que um dia existiu vida no que hoje são rochas secas e areia. Mas é um bom investimento?

Nos 48 anos em que a Nasa vem lançando missões a Marte, os americanos gastaram uma soma considerável. Só as missões Viking custaram quase US$ 1 bilhão - em dólares dos anos 1970. Os veículos de exploração gêmeos Spirit e Opportunity custaram cerca de US$ 1 bilhão para construir e operar. E o Curiosity, que tenta pousar amanhã, estourou o orçamento de US$ 2,5 bilhões. Mesmo assim, é menos que o país gastou com a frota de ônibus espaciais, gasta com a Estação Espacial Internacional e gastará com o Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Hubble. E bem menos que os mais de US$ 600 bilhões que o Departamento de Defesa gastará em 2012.

Algumas figuras do governo federal americano sugerem que é hora de cortar os gastos. O plano orçamentário do presidente Barack Obama para 2013 cortaria os fundos para a exploração de Marte de US$ 587 milhões para US$ 360 milhões.

Os defensores insistem que a exploração de Marte é vital. Mais visitas a ele poderiam responder questões pendentes sobre a história da Terra. E traria a humanidade mais perto de responder à questão suprema: estamos sozinhos no universo?

O caso de amor dos EUA com Marte pode ser remontado ao astrônomo Percival Lowell, que virou seu telescópio para ele na década de 1890 e pensou ter visto um intricado sistema de canais que devia ter sido construído por seres inteligentes. Ele nunca os encontrou, é claro, mas os marcianos viraram uma coqueluche da ficção científica.

Os terráqueos tiveram sua primeira visão de perto da superfície de Marte em 1965, quando a Mariner 4 fotografou um cenário que parecia morto como o da Lua - sem água ou geologia ativa, dois pré-requisitos da vida. Mas missões posteriores ajudaram a estabelecer Marte como um laboratório comparativo útil para estudar o clima e a geofísica da Terra. Elas demonstram que o planeta foi mais quente e mais úmido. Há muito tempo, pode ter sido apto a abrigar vida.

Ao se reunirem recentemente na Academia Nacional de Ciências para estabelecer prioridades de pesquisa para a próxima década, especialistas colocaram a busca de condições de vida em Marte no topo da lista. Mas alguns questionam a decisão de se concentrar em um único planeta. A lua Europa de Júpiter, que possui um oceano sob uma capa de gelo, poderia abrigar vida; a lua Titã de Saturno, rica em compostos químicos orgânicos também. Mas os recursos para a ciência planetária são limitados - e mesmo os que defendem uma busca mais ampla admitem que Marte é o lugar mais prático a explorar. Uma missão à Europa, por exemplo, levaria seis anos para chegar lá; a viagem da Curiosity precisou de oito meses.

Independentemente do resultado, a exploração de Marte melhora o prestígio dos Estados Unidos. E com outros países, em especial a China, estabelecendo programas espaciais, um recuo poderia significar o fim da primazia americana. Mas, após o Curiosity, a Nasa só têm uma grande missão na fila: um orbitador chamado Maven, que explorará a atmosfera e o clima marcianos. Seu lançamento está programado para 2013. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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