A falta de regulação ambiental era uma aliada de empresas

Cenário

Afra Balazina e Andrea Vialli, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Os casos de contaminação por indústrias no Estado ocorreram, em sua maior parte, antes de existirem leis ambientais ou quando a fiscalização ainda era mais precária.

Na zona leste da capital há prejuízos antigos. O mapa da Fiocruz afirma que desde 1935 a Companhia Nitro-Química Brasileira tem provocado acidentes ambientais em São Miguel Paulista, em terrenos localizados próximos ao Rio Tietê e ao Córrego Itaquera.

"Nos anos 30, quando a indústria fez sua primeira descarga de resíduos no Rio Tietê, a mortandade de peixes foi tão grande que eles se acumularam aos milhares nos remansos dos rios, cobrindo a superfície das águas", informa o estudo.

Rodrigo Cunha, da Cetesb, lembra também do caso em que as Indústrias Químicas Matarazzo poluíram uma área de 200 mil metros quadrados em São Caetano do Sul com pesticidas e mercúrio. "São Caetano é um município pequeno e demanda áreas para expansão. Por isso, precisamos acompanhar a região", diz.

O caso de Jurubatuba, na zona sul de São Paulo, só veio à tona quando a empresa Gillette fez uma autodenúncia, depois de comprar um terreno da Duracell e encontrar solventes. No passado, a região era uma zona industrial, bem diferente do que é hoje, com residências, shopping e faculdade.

Hoje, muitas das indústrias acusadas de contaminação se dizem comprometidas com a responsabilidade ambiental. Resta saber se efetivamente estão tomando os cuidados necessários para que eventos semelhantes não ocorram novamente, deixando a conta para as próximas gerações.

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