GABRIELA BILO/ ESTADAO
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A família que nasce de uma adoção

Andréia adota filha após dois anos e meio na fila

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 18h50

 A adoção sempre foi uma opção natural para ter filhos para a diretora de conteúdo Andréia Porto, de 40 anos. Após dois anos e meio na fila, ela recebeu um telefonema que mudou o curso de sua vida: há cerca de 20 dias, passou a ser a mãe de Bárbara, de 1 ano e 3 meses.

“Eu tinha vontade de ter uma filha da mesma forma que queria estudar, ter uma carreira e um casamento feliz. Sentimos a necessidade de compor uma família e a adoção foi uma escolha”, explica. Andréia diz que há dois casos de adoção na família e ela e o marido são padrinhos das crianças.

A notícia da chegada da garotinha falante, que adora cantar, foi dada às vésperas de uma viagem dela e do marido para a Suécia. “Viajamos com essa minhoca na cabeça. Sabia que estava me despedindo dessa vida e, quando voltasse, teria outra.”

Na viagem, recebeu conselhos da cunhada e já fez as primeiras compras como mãe. Assim que voltou para casa, foi ao abrigo conhecer a criança, mas teve um susto para qualquer mãe de primeira viagem. “O bebê olhou para mim e começou a chorar, só queria ficar com as freiras. Saí arrasada, chorando, porque pensava: ‘Ela não gosta de mim, será que vou conseguir ser mãe dela?’ Entrei em pânico, foi terrível”, diz.

Mas nove dias de adaptação como “tia” de Bárbara mostraram que havia amor nessa relação. Paralelamente a isso, ela precisou organizar toda a sua vida para receber a filha, trabalho que incluía providenciar roupas, comida e deixar a casa pronta para a criança.

“O dia em que fomos buscá-la foi de ansiedade. Tive todos os medos, mas parecia que ela conhecia a família de outras épocas. Ela dormiu no carro e brincou com a família”, afirma a diretora.

Sentir sono e cansaço, brincar de esconde-esconde atrás do sofá, repetir brincadeiras para ouvir gargalhadas. Andréia diz que o dia a dia da maternidade logo passou a fazer parte de sua vida.

Mudanças. Com a chegada da criança, a diretora de conteúdo passou a conviver com a casa cheia, com a presença de amigos e parentes que querem visitá-la e conhecê-la. Ela destaca a importância de as pessoas se abrirem mais para a adoção.

“Tem um vínculo (entre mãe e filho) espiritual, de amor e de energia. As pessoas precisam parar de achar que não vão amar essas crianças e não existe a possibilidade de a criança não gostar da sua casa. Há crianças ansiosas por amor.”

Andréia conta que pretende, assim que possível, dar um irmão para a filha. “Na semana em que estava conversando com a assistente social, perguntei se já poderia voltar para a fila. A Bárbara precisa ter um irmão e eu até quero que seja adotivo, mas não posso agora.” Ela diz que valoriza a relação entre irmãos por sua experiência em família: ela tem três e seu marido, quatro.

Menos de um mês como mãe, Andréia afirma que passou a valorizar mais a própria mãe e está experimentando a felicidade. “Nunca fui tão feliz, nunca me senti tão especial, nunca vi meu marido tão apaixonado e contente. É uma bênção ter essa oportunidade. O amor não tem laço consanguíneo, é um sentimento mais puro.” 

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