A grande mãe França

Ela não é a matriarca de toda a nobre família dos grandes vinhos espalhada pelo mundo. Mas sem dúvida uma grande parte desse clube tem um pé na França

saulgalvao@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2009 | 03h35

Seria um exagero dizer que a França é mãe ou avó de TODOS os bons tintos, brancos e rosados do mundo, especialmente dos produzidos fora da Europa. Mas, se fizermos uma árvore genealógica dos vinhos do planeta, verificaremos que uma parte muito grande se originaria na França e suas cepas.

Mais exagero ainda seria dizer que quase todos os grandes vinhos e uvas do mundo são franceses, embora uma parte mais do que significativa desse primeiríssimo time venha da França.

O mundo do vinho é mesmo diversificado. Basta lembrar que só na Itália já foram catalogados 3.811 vinhos, alguns dos quais verdadeiros monumentos, como o Barolo, feito com a Nebbiolo, o Chianti Riserva, principalmente oriundo da Sangiovese, e muitos outros. A Alemanha pode ostentar a maravilhosa Riesling, que tem suas parentes na França (Alsácia) e foi transplantada para vários países, como a Austrália. A Espanha tem na Tempranillo a grande cepa, base dos Riojas, Riberas del Duero e muitos outros. Portugal é um celeiro de uvas autóctones, como a Touriga Nacional, uma maravilha pouco conhecida e divulgada. E assim por diante.

No entanto, as cepas francesas é que foram levadas para formar os vinhedos do Novo Mundo. Cabernet Sauvignon (tinta de Bordeaux) e Chardonnay (branca de Bourgogne) são as uvas mais difundidas nos novos países, como Estados Unidos, Chile, Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Encontramos aqui e ali alguns vinhos feitos com uvas não francesas, como a Touriga Nacional (Brasil), Tempranillo (presença significativa na Argentina) e também com uvas que nasceram nas novas terras.

Há algumas cepas meio obscuras na França, sem tanto destaque, como a Malbec (do sudoeste, mais do que secundária em Bordeaux, dá o vinho de Cahors), que passou a ser o grande destaque na Argentina, tanto em qualidade quanto em quantidade. A Tannat, também relativamente desconhecida e limitada ao sudoeste da França, é a grande cepa do Uruguai.

Mesmo na Europa, encontramos quantidades significativas de uvas francesas na Itália, Espanha, Portugal e outros países vinícolas.

Esse intercâmbio de uvas entre regiões e países é comum e normal, mas o curioso é que na França encontramos poucas cepas famosas estrangeiras (além da Riesling). Não há, por exemplo, um grande tinto usando parcialmente a Nebbiolo ou a Sangiovese. Já na Itália, uvas francesas aparecem em muitos produtos. O mesmo vale para Espanha e Portugal.

Não se trata de um julgamento de um francófilo, mas de simples constatação. Nos quatro cantos do mundo encontramos cepas francesas que dão vinhos maravilhosos, de acordo com as condições do tempo, do terreno e do capricho dos produtores.

A Syrah francesa das Côtes du Rhône foi levada por acaso para a Austrália, onde passou a dar o vinho de mesa da uva símbolo do país, a Shiraz.

Basicamente encontramos em muitos países e regiões do planeta vinhos feitos com os componentes do corte bordalês (Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc); com a grande e difícil uva Pinot Noir, da Bourgogne; e com as brancas Chardonnay, feitos à moda de Bourgogne - os melhores brancos secos do mundo, e com a aromática, alegre e gostosa Sauvignon Blanc, além de outras menos difundidas.

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