''A grife Unifesp tem de prevalecer''

ENTREVISTA

Luciana Alvarez, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Walter Manna Albertoni. Reitor da Universidade Federal de São Paulo

Reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) há um ano, Walter Albertoni reconhece as dificuldades da expansão rápida, mas garante que a excelência da grife Unifesp está sendo mantida. Na entrevista a seguir, ele anuncia novos cursos.

A Unifesp tomou a decisão certa ao deixar de atuar exclusivamente na área da saúde?

A expansão foi bastante discutida na universidade. A maioria dos professores estava muito bem, obrigado, mas fomos convocados para contribuir com o governo federal. Acabou prevalecendo um espírito patriótico, no sentido de que não era possível que um país como o nosso continuasse com tão poucas vagas no ensino superior gratuito. A partir da decisão de que teríamos uma universidade plena, precisávamos abranger todas as áreas do conhecimento. Caminhamos para ser a grande federal de São Paulo.

A expansão da universidade vai continuar?

O MEC conseguiu duplicar o número de vagas no País, mas nós multiplicamos por seis o número de alunos em quatro anos - tínhamos 1.150 e hoje estamos com 7 mil na graduação. E estamos com seis câmpus (capital, Santos, Diadema, Guarulhos e São José dos Campos), pois já temos aprovado o de Osasco, com cursos de Economia, Administração, Relações Internacionais e Ciências Contábeis. Os editais para os professores vão sair agora e teremos vestibular para 2011. Temos aprovado um curso de Direito, na capital, mas estamos elaborando o projeto com calma, para ter um curso diferenciado.

É possível manter a qualidade em tantos novos cursos?

Desde o início decidimos que não perderíamos a qualidade. São convidados professores de outras universidades para elaborar os programas pedagógicos. Os editais para professores são muito exigentes - a condição sine qua non é ter doutorado. E os professores sabem que a única forma de crescer aqui é ter uma referencia acadêmica forte. Em Santos e Diadema já temos pós-graduação. Assim, cursos muito novos, como Nutrição, são referência nacional. A qualidade está sendo mantida. É importante que a grife Unifesp prevaleça.

Mas a infraestrutura ainda é um problema.

Isso acontece porque a velocidade da decisão política é uma e da técnica é outra. Em Santos, estamos formando a primeira turma, mas o prédio ainda não está pronto. Não é que tenha faltado dinheiro, mas houve impugnações de empresas que perderam a licitação, discussões com o Ministério Público sobre por onde passaria o dinheiro.

Essas questões já foram resolvidas?

O mais importante em uma universidade é professor bom e alunos bem selecionados. Com isso, pode dar aula até embaixo da árvore - mas claro que o desconforto é muito grande. Hoje todas as obras estão em andamento. Porém, tomamos a decisão de não iniciar nenhuma nova obra enquanto não terminarmos as iniciadas. O câmpus de Osasco está aprovado, com terreno doado há três anos, mas só vai sair agora porque o prefeito ofereceu um prédio pronto.

A administração da Unifesp vai passar por mudanças?

Detectei que era um problema administrar todas as áreas do conhecimento a partir de uma escola médica, por um reitor médico, de dentro de um prédio hospitalar. Isso poderia gerar uma interpretação de predomínio. Adquirimos então um prédio de escritórios em frente ao Parque do Ibirapuera e até julho nos mudamos. Até lá, também devemos ter um novo estatuto.

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