A invasão do J-Rock

Roupas de super-heróis fazem parte do rock japonês que está conquistando o Brasil

Luiz Gallo,

03 de novembro de 2007 | 14h01

No próximo final de semana, a banda japonesa Charlotte desembarcará pela primeira vez no Brasil. Expoente do j-rock, a banda fará dois shows, dia 10 em São Paulo e 11, no Rio. A vinda do grupo marcará a força de uma cena que começa a se estabelecer no País.  - Do subúrbio japonês para São Paulo - Expoente do j-rock toca no Brasil em novembro  J-rock é simplesmente o rock japonês e todas as suas vertentes comportamentais. Uma característica marcante dos conjuntos é o visual pra lá de exótico. Os músicos tocam vestidos como personagens de desenhos ou colegiais, e carregam na maquiagem. É o visual Kei.  Para Danieli Castro, que pesquisou o movimento de Tóquio em 2006, o visual diferente é uma maneira de diversão, uma manifestação da juventude japonesa.  "O jovem não pode se manifestar como quer quando está no colegial, os alunos sequer podem pintar os cabelos", contou. O movimento que alia moda e música saiu de um bairro de Tóquio chamado harajuku, nos anos 80 e conquistou boa parte da Europa, Estados Unidos e só agora chega com força por aqui. O surgimento do j-rock no País se deu a partir dos desenhos japoneses que passavam na televisão,assim como seriados de super-heróis, conhecidos como tokusatsus. Essa foram as grandes influências do grupo de j-rock brasileiro Gaijin Sentai.  Os irmãos Alexandre e Nordan Manz, baixista e vocalista da banda, começaram a fazer versões mais pesadas, com influências de heavy metal para os temas de seriados japoneses como Jaspion, Changeman e Jiraya. "Temos grande influência do metal e crescemos com os desenhos e seriados, juntamos os dois e começamos a banda em 2003", explicou Nordan, que já se acostumou a cantar no idioma oriental. A banda começou participando em eventos de cultura japonesa no Estado e hoje toca em várias capitais, como Goiânia, Brasília e Belo Horizonte, onde foi realizado o show no dia 28 de outubro, com um público superior a 6 mil pessoas. "Foi emocionante, o pessoal realmente incorpora os personagens dos desenhos e canta junto com agente, chega a arrepiar", garantiu o tecladista da banda, Jefferson Amorim.  Diferente da imagem do rock tradicional, o Gaijin se distancia muito do lema "sexo, drogas e rock’n roll". Os integrantes da banda procuram passar mensagens de fraternidade, paz e amizade, assim como os super-heróis japoneses. Para o vocalista Nordan, a banda é um esquadrão, assim como os heróis japoneses.  As diferenças não param por aí. O Gaijin tem um tipo de público diferente. "Por tocarmos músicas mais antigas como o tema da série National Kid, existe um público mais velho que também gosta muito". Outro diferencial é a utilização de estilos de músicas tradicionais japoneses, como o enka e o minyo, os instrumentos shakunachi (flauta japonesa), shamisen (instrumento de cordas japonês) e o taiko (tambores japoneses), o que atrai a muitas pessoas dacolônia oriental.  A banda lançou dois minicds promocionais independentes e o próximo deve sai no início de 2008;e tem um fã-clube oficial na internet chamado de Gigantes Guerreiros, criado pelos fãs. Um sucesso do grupo é o tema da Animefriends, evento mais popular do País da cultura japonesa realizado na Capital.

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