A louca pirotecnia dos mestres do expresso

Num tilintar frenético de pires e bules, profissionais do café disputam o título de melhor barista do Brasil já olhando para o mundial, em Londres

Olívia Fraga, O Estado de S.Paulo

11 Março 2010 | 03h37

A movimentação era discreta no salão anexo do Mercado Municipal na última segunda-feira. Mas bastava se aproximar para ouvir o barulho dos carrinhos de inox cheios de xícaras e bules, que tremelicavam ao passar pelas fileiras em que a plateia esperava o início do 9º Campeonato Brasileiro de Barista.

Até as 18 horas, nove profissionais fizeram pirotecnias em 15 minutos cronometrados. Outros 18, de todo o País, participaram durante a semana de duas eliminatórias iguais. O melhor barista do ano será conhecido hoje e disputará o campeonato mundial em Londres, em junho.

Léo Moço, primeiro candidato, estava lá desde cedo. Chegou antes das máquinas de expresso. A monitora dos baristas, Maria Lúcia Cruz, ainda organizava os bastidores, papéis para a avaliação dos jurados, checagem dos participantes, sumiços inesperados. Algumas coisas Maria Lúcia não pode resolver: quando o barista pisa no palco, só ele pode mexer em seu material. Tem de empilhar xícaras sobre a máquina de café, ajeitar a toalha na mesa de degustação e aguardar sua hora. Três juízes técnicos esquadrinham seus passos e avaliam do avental à limpeza dos copos.

Palmas e gritos de incentivo vêm da plateia, que reúne amigos e frequentadores do Mercadão. A disciplina da prova é rígida, apesar da trilha descontraída. Do mezanino, onde fica o backstage, os finalistas observam. Falam pouco. Fazem teste para "treinar a mão", lavam a louça, acertam o mise en place e tranquilizam os mais nervosos.

Pouco antes do horário marcado, descem as escadas. "É coisa de louco, tudo é muito rápido. Precisa ser muito bom para estar aqui", diz um dos jurados.

De nervos controlados, Moço é veterano. Disputa o título pela quinta vez. Cecília Sanada, ex-cabeleireira, participa pela segunda. Esforça-se para manter timidez e nervosismo sob controle enquanto prepara suas 12 bebidas (expressos, cappuccinos e drinques de autor). A estreante Elaine Martins não conseguiu. Esqueceu de trazer pires e por pouco não foi desclassificada. Quem terá hoje seu dia de glória?

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