'A maioria só se dedica na crise'

Roberto Carvalho é hipertenso há 20 anos

O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h09

O engenheiro Roberto Carvalho, de 74 anos, tem uma palavra de ordem: "Gerenciar-se". Hipertenso há 20 anos, ele passa por acompanhamento médico periódico e toma os medicamentos de uso contínuo conforme a prescrição médica.

Se a pressão está desregulada, Carvalho parte para alimentação saudável, que inclui até farinha de alpiste.

Em fevereiro, ao medir a pressão pela manhã, percebeu que estava com batimento cardíaco muito baixo - 42 por minuto. "Liguei para o médico, ele pediu que eu fizesse flexões. Aumentou um pouquinho e logo caiu. Fui para o consultório e ele me disse: 'Você está morrendo'." O engenheiro tinha bradicardia - redução dos batimentos cardíacos. Foi internado e recebeu um marca-passo. "O que me salvou é que estou sempre me monitorando. Eu me gerencio", diz.

Carvalho sabe que é "a exceção da exceção". Na opinião dele, a maioria das pessoas só toma remédio na hora da crise. "E não é por falta de medicamento, não. Às vezes, tem a distribuição gratuita e a pessoa guarda na caixinha", afirma.

A gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Martha Oliveira, também aponta para uma questão cultural. "Vivemos numa cultura em que as pessoas têm na memória o antibiótico, que se toma por sete dias, numa infecção aguda. Ou o paciente ficava bom ou morria."

Segundo ela, a transição epidemiológica foi muito rápida. "Hoje, o paciente crônico toma o medicamento, melhora e interrompe o tratamento. Pode ser porque ele já esteja se sentindo bem, porque tem outras prioridades e não quer ficar com o gasto contínuo", afirmou. "O que a ANS quer é levantar a discussão da importância da saúde contínua e integral." / C.T.

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