A Mário Ferraz, sem Shundi

Pós-Kobayashi - No Original Shundi, um clima de balada. Foto: Filipe Araújo/AE Shundi Kobayashi, o famoso sushiman, já não trabalha na Rua Mário Ferraz faz alguns meses. Mas seu nome continua lá, como uma espécie de grife, nos dois restaurantes que criou - e com os quais ele não tem mais relação comercial -, o Shundi & Tomodachi, aberto em 2003, e o Original Shundi, na ativa desde 2007.  Cozinheiro veterano, Shundi tem entrado e saído de várias casas nos últimos anos (neste momento, ele comanda o Kobayashi, na Vila Olímpia). Mais do que espírito empreendedor, o chef tem de fato um estilo de trabalho: sempre foi um entusiasta das chamadas iguarias importadas nos cardápios nipônicos; e foi, porque não, um dos precursores de uma certa vertente que associa restaurante japonês a balada. Sabe aquele ambiente moderninho com música ao estilo lounge bem alta? É isso. Desde 2007, quem manda no balcão do Shundi & Tomodachi é Koji Yokomizo, sushiman que trabalhou com o mestre Kobayashi em várias ocasiões. Koji é adepto dos sushis de tamanho pequeno, para serem deglutidos num só golpe. O corte do peixe também mudou: Shundi sempre gostou das fatias grossas, enquanto Koji e seus assistentes preferem uma espessura mais fina. O Tomodachi tem um cardápio extenso, com muitas opções frias e quentes. E valoriza muito, como sempre fez Shundi Kobayashi, itens como filhote de polvo (que eu sempre achei menos saboroso do que o polvo adulto), barbatana de tubarão, água-viva, etc. Os peixes? Poderiam ser bem melhores, especialmente em variedade. Mas percebe-se que é uma opção do restaurante - assim como manter a música em volume tão alto também é. A menos de cem metros do Tomodachi, no Original Shundi, quem cuida do balcão e da cozinha é o jovem Ronaldo Imai - que, adivinhe, trabalhava com Koji Yokomizo até recentemente. Ainda que tenha convivido menos com Kobayashi, Imai parece mais influenciado pelo decano sushiman. Seus niguiris são maiores, o corte do peixe é grosso. E, claro, seu gosto pelas ditas iguarias é igualmente patente. Além dos pedidos à la carte, o Original trabalha com menus entre R$ 80 e R$ 250 (no cardápio, há uma fórmula de R$ 320, que não está sendo mais executada, pois incluía ouro em pó no acabamento dos pratos, ao estilo que agradava os yuppies dos anos 80). A opção intermediária, por exemplo, traz sushi, sashimi, pratos frios e quentes - e inclui acertos e equívocos. Um prato no qual não coloquei muita fé, o camarão empanado em sucrilhos, funcionou muito bem. Já as ovas de ouriço assadas... Um desperdício de um ingrediente tão saboroso. À medida que a noite avança, a música fica mais alta, sem contar que, no salão ao lado, há um telão que nunca é desligado. Algo que convida mais a comer um temaki de pé do que um omakasê. Mas isso só tem importância para quem, como eu, gosta mais de restaurante do que de clube noturno. Caso contrário, boa balada.  Sundi & TomodachiR. Dr. Mário Ferraz, 402, Itaim-Bibi, 3078-685212h/14h30 e 19h/0h (sáb. 12h/15h e dom; 12h/16h; 5ª a sáb., 19h/1h; dom., 19h/22h30) Cartões: todos Cardápio: japonês, com muitas iguarias Original ShundiR. Dr. Mário Ferraz, 490, Itaim-Bibi, 3079-073612h/15h e 19h/23h (sáb. 13h/17h e 19h/1h; dom., 13h/17h e 19h/23h). Cartões: todos Cardápio: japonês, também com muitas iguarias

Luiz Américo Camargo,

04 de fevereiro de 2010 | 12h43

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