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A mentalidade do Google é a nova esperança para o Yahoo

Passados alguns dias desde a nomeação de Marissa Mayer como CEO do Yahoo há uma semana, o que parece mais surpreendente de toda a reação é o enorme valor que foi dado ao lado humano da escolha. Afinal, Marissa é uma das figuras mais identificadas com o Google, onde trabalhou por 13 anos. Ela foi a 20ª pessoa a ser contratada e a primeira engenheira mulher. Em 1999, quando se uniu aos fundadores Larry Page e Sergey Brin, tinha acabado de se formar em computação em Stanford (de onde vieram tanto os fundadores do Google quanto os do Yahoo, Jerry Yang e David Filo), e a sede do Google ainda ficava em cima de uma loja de bicicletas.

Felipe Serrano, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2012 | 03h08

A própria evolução do Google está ligada à da carreira de Marissa - ela e Page chegaram a namorar por um tempo. Por nove anos, ela coordenou o desenvolvimento das buscas, o principal serviço. Enquanto o Yahoo deixava de ser relevante na área, ela participou da criação das novas tecnologias, entre elas, a busca universal (que incluiu nos resultados vídeos, fotos, notícias, etc.), o Instant - que dá as respostas enquanto o usuário digita a pesquisa - e também o projeto para digitalizar (e tornar pesquisáveis) todos os livros das bibliotecas dos EUA. Um amigo meu, dos tempos de faculdade, chegou a descrevê-la dessa forma em uma entrevista para a revista IEEE Spectrum em abril: "Marissa ajudou a moldar o Google, e o Google é um retrato da personalidade dela".

Quando o Google completou dez anos em 2008, ela publicou um longo post no blog da empresa "The Future of Search". Nele, discorria sobre o que havia sido alcançado até então e como as buscas poderiam ser melhoradas nos próximos anos usando tecnologias de busca por voz e imagem, e trazendo resultados personalizados, sociais e baseados na localização do usuário - coisas que foram e continuam a ser desenvolvidas. Ela escreveu na época: "Tenho muito orgulho de como o Google facilitou e acelerou a forma de se obter informações em seus primeiros dez anos. Mas eu estou ainda mais animada com o que ele pode atingir no futuro."

Só que o futuro foi diferente para ela. Apesar dos claros avanços, dois anos depois, Marissa deixou de liderar as buscas para coordenar a área de mapas e serviços localizados - cada vez mais importante com o avanço dos smartphones. E no ano passado, quando Page assumiu o cargo de CEO no lugar de Eric Schmidt, Marissa não foi escolhida para a equipe de desenvolvimento mais próxima a Page. Não se sabe, no entanto, como isso teria motivado a sua saída.

Ela certamente fará muita falta ao Google. Mas muitos receberam com animação sua chegada ao Yahoo, e não passaram despercebidos sua beleza, inteligência e a inspiração que provoca, e, principalmente o fato de ela ter aceitado o cargo - de extrema importância e pressão - grávida (ela espera um menino, que deve nascer em outubro).

Com 37 anos, Marissa agora é a CEO mais nova entre as 500 maiores empresas dos EUA e receberá um salário anual de US$ 1 milhão, além de um bônus anual que pode chegar a US$ 4 milhões e de compensações em ações.

Michael Arrington, fundador do Techcrunch, capturou bem o impacto da chegada dela ao Yahoo. Marissa representa uma nova esperança para a empresa que foi um dos líderes de inovação no início da internet mas que tem passado por muita instabilidade, incluindo uma polêmica troca de comando. Ela pode ajudar a atrair talentos, a levantar o moral dos funcionários e a fazer com que sintam orgulho de trabalhar no Yahoo, além de negociar melhor a aquisição de startups que podem trazer novas tecnologias e visões.

Ela já começou a tomar esse papel. No primeiro memorando enviado aos funcionários, na sexta-feira, escreveu: "Embora eu tenha algumas ideias, preciso formar uma perspectiva mais informada antes de fazer mudanças de estratégia. Enquanto isso, por favor não parem. Vocês estão fazendo um trabalho importante. Por favor, não parem."

É uma mudança ao menos esperançosa por um novo rumo na evolução da tecnologia e da internet. O Yahoo renasceu, pelo menos por enquanto.

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