Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

A 'prototorta' de 40 galinhas

Teses definitivas sobre a origem histórica das tortas são tão inconsistentes quanto uma massa malfeita.

José Orenstein, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2013 | 02h21

Isso porque, se a definição de torta resume-se a uma massa que envolve um recheio qualquer, então é quase impossível determinar quando ela primeiro aparece, como afirma Alan Davidson em The Oxford Companion to Food. Mas há indícios de prototortas que remontam a milhares de anos antes de Cristo.

Como quase tudo o que se come, a torta é provável filha da necessidade: a massa era um bom jeito de armazenar o recheio - que garantia a subsistência - em tempos em que a geladeira não existia nem nos sonhos do mais louco inventor egípcio ou grego.

Pois foi assim, dos egípcios aos gregos, e desses aos romanos, que a ideia de um recheio envolvido por massa triunfou entre civilizações até chegar às mesas atuais, séculos depois. Mas com uma notável diferença estrutural na massa, tendo agora gordura animal como base e não mais o azeite que mal dava liga para segurar as paredes daquelas prototortas egípcias.

Davidson refere-se ainda aos árabes como exímios cultores da torta. O médico viajante Abd el-Latif, em expedição de sua Bagdá natal até as margens do Nilo, registra em fins do século 12 uma colossal torta egípcia recheada com 3 cordeiros, 40 galinhas e 50 outras aves, além de pistache, ovos, canela, gengibre e queijo.

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