A revolução: do Twitter e do Facebook para as ruas

Articulados na web, os jovens que foram às ruas na Tunísia, no Egito e em Wall Street reinventaram o jeito de protestar. Usando Twitter, Facebook e YouTube, além de mensagens SMS, conseguiram tirar milhões da imobilidade e provocaram tanto impacto que as causas que eles representavam não puderam mais ser ignoradas. Mas há como fazer a revolução apenas pela internet? Ou a possibilidade de mudança só vem quando se une a tecnologia com formas tradicionais de protesto?

CECÍLIA CUSSIOLI, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h09

"As redes sociais foram o megafone da revolução, mas, sozinhas, não se bastam", avalia Muzammil Hussain, pesquisador do projeto de Tecnologia da Informação e Política do Islã da Universidade de Washington.

O uso das redes em movimentos sociais, muitas vezes, se torna um engodo de militância, segundo Silvio Meira, professor de Engenharia de Software da Universidade Federal de Pernambuco. "Elas são apenas plataformas de conexão. As estruturas de poder estão no mundo real e é nele que as pessoas precisam agir", comenta.

Para o especialista em cultura digital Gil Giardelli, da ESPM, a web funciona como um espaço disseminador de ideias, mesmo para iniciativas menores. "Exemplos locais ganham visibilidade e podem gerar um ato tão político quanto uma passeata."

Foi o que aconteceu com o vídeo publicado em maio no YouTube por três amigos gaúchos. O publicitário Gabriel Gomes, de 22 anos, e seus colegas simularam jogar golfe com os buracos das ruas de Porto Alegre. "Paraíso do Golfe: nós adoramos morar aqui", diziam. A brincadeira foi vista por quase 80 mil pessoas. Resultado: todos os buracos que aparecem ali foram consertados. "É uma forma de protesto, só que com humor. Chamamos a atenção sem ganhar a antipatia das pessoas com passeatas."

Segundo o professor de Políticas Públicas da USP Pablo Ortellado, o ideal mesmo seria um equilíbrio entre mobilizações digitais e reais. "O que devemos considerar é que as redes sociais trazem para frente dos protestos novos protagonistas políticos, apartidários e sem histórico de militâncias. Pessoas que antes não seriam atingidas por manifestações começaram a encabeçá-las."

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