À sombra de Angelo

Para quem conheceu Angelo Salton, é impossível provar uma vertical de Salton Talento sem pensar nele. O vinho foi fruto de seu entusiasmo, aquela insistência dele em que as coisas improváveis precisam ser testadas até que funcionem. Lembro quando fui conhecê-lo, ali ao lado do Campo de Marte, provar todos os vinhos da época, com Angel Mendoza, que ainda dava consultoria à empresa nos seus passos rumo aos vinhos finos, e Lucindo Copat, o enólogo.

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2011 | 00h40

A alegria com que ele abriu a garrafa do seu tesouro e mostrou o rótulo que ainda estava em estudos mais sua famosa generosidade em servir taças cheias do vinho eram transmissíveis, como um vírus de crença. Saí de lá acreditando também naquele vinho.

Agora, muitos anos depois, organizar uma vertical com todas as safras - e com Lucindo dirigindo a degustação - foi como ver um projeto saído da prancheta ganhar dimensão espacial, virar um prédio sólido.

Lucindo Copat é uma figura importante, ouvido pelos seus pares, mas não tem nada de vetusto. É um divertido contador de casos. Sua degustação foi uma série de anedotas, como a das mudas de sobreiro que ele trouxe no sapato, clandestinamente, para tentar, um dia, produzir a própria cortiça para as rolhas da empresa.

O Talento foi o primeiro dos tops da casa, seguido por Desejo Merlot e Virtude Chardonnay. Como só usam barricas novas de carvalho para estes vinhos, com as usadas Copat inventou uma mistela, um fortificado de Chardonnay, chamado Intenso, muito bom, que merece divulgação.

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