A tragédia da Rua Dr. Januzzi, 13

Na coluna anterior escrevi aqui alguns parágrafos sobre Nair de Teffé, primeira-dama do País entre 1910 e 1914 e primeira mulher caricaturista na imprensa brasileira. Por falta de espaço, deixei para hoje a segunda parte da história, fruto da mesma pesquisa sobre uma determinada fase da vida brasileira que em rítmo veloz tem sido reconstituída na internet.O texto sobre Nair de Teffé (ou Rian, como ela assinava suas caricaturas) está disponível a partir do índice de colunas, no link abaixo. O capítulo de hoje é reservado a Eugênia Brandão, também conhecida como Eugênia Álvaro Moreyra, sobrenome que adotou ao se casar com o poeta, escritor, jornalista e teatrólogo Álvaro Moreyra (leia sobre ele em www.itaucultural.org.br).Como Nair, Eugenia também se destacou pela beleza, talento, pioneirismo e pela ativa participação na vida política do País. Nasceu em Juiz de Fora, em 1898, pouco antes da proclamação da República. Adolescente, mudou-se para o Rio e aos 16 anos conseguiu um emprego como repórter no recém-lançado "A Rua", que circulou na então Capital Federal entre 1911 e 1922.Foi a primeira mulher a exercer tal função na imprensa brasileira (www.mulher500.org.br), o que provocou espanto dentro e fora das redações. Muita gente torceu o nariz, desdenhou e até ironizou. Talvez por isso, poucos estranharam quando, dois anos depois, "A Rua" publicou uma pequena nota anunciando o fim prematuro da carreira da jovem repórter. Segundo o jornal, Eugênia decidira largar o jornalismo e procurar refúgio em um convento.O mistério e as razões só foram esclarecidos meses depois com uma reportagem exclusiva, assinada por ela, na primeira página do diário. Eugênia, na verdade, fôra para o convento com o único objetivo de entrevistar a irmã de uma mulher friamente assassinada em um crime de ampla repercussão e que ficou conhecido como "a tragédia da rua dr. Januzzi, 13".A reportagem foi publicada em capítulos durante cinco dias consecutivos e valeu à sua autora o reconhecimento da sociedade, dos colegas e dos diários concorrentes. Eugenia passou ainda pelas redações de "A Notícia" e "O País", outros dois grandes jornais da época.Anos depois, casada e mãe de seis filhos (alguns historiadores falam em oito filhos), criou a União Feminina do Brasil e encabeçou a campanha para a libertação da filha de Anita Leocádia, o bebê recém-nascido de Olga Benário, companheira de Luis Carlos Prestes, deportada ainda grávida para um campo de concentração na Alemanha nazista de Hitler.Eugênia morreu em 1948, aos 50 anos de idade. Na época, o "Correio da Manhã" publicou oportuna reportagem sobre ela com o expressivo título "História de uma Mulher Especial". O texto, não por acaso, está disponível em www.valeriamoreyra.com.br/saudade.html.

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