A transposição mar de Ilhéus -Vila Medeiros

D. Inês, de saia rendada e tudo, põe a comida a serviço do urbanismo

Luiz Henrique Ligabue, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2009 | 03h20

Você sabe onde é a Av. Nossa Senhora do Loreto, na Vila Medeiros? Sim, é a mesma do Mocotó, onde o chef Rodrigo Oliveira faz sua versão da genuína comida do sertão pernambucano. Pois é, agora, duas casas mais para a esquerda, ou para direita, ou melhor, no nº 1.140 - mão dupla dificulta a vida -, d. Inês Santos e sua filha Flávia estão construindo um projeto messiânico-gastrourbanístico. Querem trazer o mar da Bahia para a esquina da Nossa Senhora do Loreto.

O projeto começou a ser gestado, pelo menos na cabeça de d. Inês, desde que ela deixou Ilhéus para trabalhar em "casas de família" na capital Paulista, há 12 anos. Dez anos se passaram até que uma das filhas, Flávia, desembarcasse no terminal do Tietê para tirar férias da Bahia. O tempo passou, a filha ficou, e foram as duas para trás do tabuleiro, em uma feira de rua. A clientela crescia e dela surgiu uma primeira oferta de teto. A parceria entre espetinhos e acarajé não vingou. Boi não conversa com camarão, caranguejo e companhia. Voltaram as baianas para a feira livre. Mais um tempo e outra oferta. O tabuleiro foi para o fundo de uma portinha. O negócio da frente não prosperou, mas a fila do acarajé já estava grande.

Mudaram então para a esquina da frente. Todo o dinheiro dos acarajés, agora reforçado por poderosas moquecas, camarões na moranga e peixes, vai para a transposição mar de Ilhéus-Vila Medeiros. A esquina já ganhou os casarões do Pelourinho, um salão, mesas, tela plana - com vídeos da turma de Margareth Menezes -, bar com teto de piaçava e aquário. E, em breve, conforme as vendas permitirem, terá um chão de areia. "Queremos um pouco da Bahia aqui. Tem de tirar o pé do sapato e por na areia. É para relaxar", decreta Horley Jr., genro e administrador do projeto.

A comida da d. Inês é boa, fresca e, conforme a tradição baiana, demora para chegar. Mas não reclame, o Horley já avisou que lá é para relaxar! E, enquanto o mar não chega, os peixes fazem as vezes da maresia e ajudam a matar a fome dos fregueses.

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