A vitória do rosado

A moda vinho rosado continua dando bons frutos. Esse tipo de vinho descompromissado, ideal para beber nos dias de verão, fez sucesso na Europa, onde começaram a aparecer produtos sérios, que vão muito além daquele líquido para bebericar à beira da piscina, sem prestar muita atenção. A tendência chegou a outros países. Os rosados nacionais, chilenos e argentinos estão conquistando espaço. E os rosados nacionais bem merecem, pois proporcionaram uma degustação agradável, com vinhos de várias tendências, mas normalmente alegres, frutados, frescos e macios. Vinhos que não são e não pretendem ser grandes e complexos, mas sim o que se espera de um rosado para o verão.Além dos citados na coluna, agradou também o Do Lugar Rosé Dal Pizzol. O vinho rosado vinha sendo estigmatizado havia muito tempo. Há ótimos rosados na França, como os de Bandol e Tavel; em Portugal, como o Redoma; e muitos na Espanha, feitos com a Garnacha, que tem especial vocação para gerar tais vinhos. Mas a média era mesmo fraca e dava razão aos que rejeitavam o rosado. O vinho era vítima de um círculo vicioso. Como não era aceito nem levado a sério, os produtores faziam rosados apressados e fracos, destinados a matar a sede de turistas. Muitas vinícolas, encaravam o rosado como subproduto. A situação começou a se inverter no verão no Hemisfério Norte e começaram a aparecer artigos de escritores especializados, como Jancis Robinson, sobre a onda do rosado. Os produtores de regiões tradicionais da França, Espanha, Portugal e Itália passaram a encarar mais seriamente os rosados, utilizando uvas de boa qualidade e não as que sobravam, de outros produtos. O que dá cor aos vinhos são as cascas das uvas. O interior das frutas é quase sempre claro. As cascas ficam em contato com o mosto para transferir a cor ao produto. No caso dos tintos, esse tempo é maior. Para fazer um rosado honesto, o produtor abrevia consideravelmente o tempo de contato das cascas com o mosto. Chegando à cor desejada, as cascas são separadas. MIOLO SELEÇÃO ROSADO 2006 ONDE ENCONTRAR: ADEGA TUTÓIA, TEL. 3884-8321 PREÇO: R$ 16,90 COTAÇÃO: 87/100 Uma agradável surpresa, pois a linha seleção é a mais básica do ótimo produtor Miolo, feita normalmente com uvas compradas e não cultivadas pela família, como acontece nas linhas mais caras. Mas o rótulo indica que as uvas vieram do Vale dos Vinhedos, a primeira Indicação Geográfica de Procedência. Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, uvas que aparecem também no Miolo Seleção tinto. Um rosado de cor bastante intensa, quase um clarete. Aroma ótimo, com muitas frutas vermelhas, como o morango. Mas demorou um pouco para aparecer. Algo floral também. Na boca, boa concentração de sabor e, de novo, as evocações florais e de morango. Muito gostoso, mas não dos mais refrescantes. Poderia ter um pouco mais de acidez, mas é macio e longe de ser enjoativo. Álcool muito bem integrado e retrogosto não muito potente, mas gostosinho. Para bebericar e para a mesa. 13% de álcool. PIZZATO FAUSTO MERLOT ROSÉ 2007 ONDE ENCONTRAR LE TIRE- BOUCHON, TEL. 3822-0515 PREÇO: R$ 24 COTAÇÃO: 85/100 O produtor Pizzato costuma fazer bons vinhos com a uva Merlot, como este rosado bastante aromático e gostoso. Feito com uvas da propriedade da família em Fausto de Castro, na serra gaúcha. Cor atraente lembrando a de cerejas, mas não muito intensa. A primeira impressão foi muito boa mesmo, com o aroma intenso de frutas bastante sensível. Na boca caiu um pouco. Um vinho ligeiro, sem muita concentração, mas macio, doce, que se deixa beber gostosamente. A acidez poderia ser um pouco mais alta, mas está longe de ser enjoativo. Dá vontade de continuar bebendo. Muita fruta, macio. Alguns toques vegetais. Seca um pouquinho a boca ao final. Ligeiro, equilibrado, com pouco álcool, com mais vocação para o aperitivo do que para acompanhar pratos. Um vinho para se bebericar despreocupadamente. 12% de álcool. DUETTO ROSÉ 2006 ONDE ENCONTRAR: VINHAS & VINHOS TEL. 3717-3432 PREÇO: R$ 29,05 COTAÇÃO: 85/100 Um vinho da Casa Valduga feito com uvas do Vale dos Vinhedos, a única Indicação Geográfica de Procedência do Brasil, que fica principalmente em Bento Gonçalves e poderá ser o embrião de um sistema de denominação controlada. Um corte de duas uvas italianas, Sangiovese (da Toscana) e Barbera (do Piemonte), que dificilmente aparecem nos rótulos. O ''''dueto'''' das duas cepas funcionou e resultou num rosado clarinho, evocando pele de cebola e muito melhor na boca do que no aroma, que se mostrou tímido, difícil de perceber. Depois de algum tempo no copo, apareceu um aroma floral, mas sempre tímido. Deu um grande salto para cima na boca, onde se mostrou muito agradável, ligeiro, fresco e ideal para bebericar. Pouco corpo, não concentrado, mas sim refrescante e macio. Boa acidez e meio curto. Desaparece rapidamente. No copo, algumas bolinhas de gás carbônico, o que teoricamente, ajuda o aroma. Equilibrado. 12,5% de álcool. VILLA FRANCIONI ROSÉ 2007 ONDE ENCONTRAR: EMPÓRIO FREI CANECA, 3472-2082 PREÇO R$ 58 COTAÇÃO 88/100 Muito provavelmente o melhor rosado nacional, feito na região mais do que fria e bastante alta de São Joaquim, em Santa Catarina, onde o visionário Manoel Dilor de Freitas construiu uma vinícola espetacular e muitíssimo bem equipada. Seus vinhos estão impressionando muito bem, mas ainda têm um problema sério: os preços. Este rosado vem de um corte de Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Malbec e Merlot dos vinhedos de São Joaquim e Bom Retiro, que fica ali perto. Curiosamente, não impressionou muito bem ao primeiro contato. Um rosado clarinho, do tipo pele de cebola. Demorou algum tempo para aparecer um aroma agradável, mas nunca exuberante. Algo de morango no aroma. Na boca, complexo, com ótima acidez, bom corpo para um rosado e longo. Um vinho para ser bebido despreocupadamente, mas com concentração para acompanhar muitos pratos de frutos do mar. Equilibrado e fresco. 13,4% de álcool.

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2008 | 04h08

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