Abate pode agravar epidemias entre animais silvestres

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Georgia mostra que a prática de matar animais silvestres para controlar epidemias pode, em alguns casos, agravar a situação. No trabalho, que será publicado na edição de 7 de agosto do periódico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, os cientistas Marc Choisy e Pejman Rohani desenvolvem um modelo matemático que mostra como a combinação da caça com fatores como a estação de acasalamento dos animais pode afetar epidemias. Os resultados sugerem que as autoridades sanitárias deveriam usar de cautela ao planejar caçadas ou abates como meio de controlar doenças como raiva ou, mesmo, gripe aviária.O raciocínio por trás da matança de animais para controlar doenças é simples: menos animais representam menos vetores para o mal. A caça já foi usada para controlar populações de texugos na Inglaterra, surtos de raiva entre raposas inglesas e doenças em alces e veados no oeste dos EUA. Os pesquisadores notam que, em casa ocasião, as epidemias se agravaram, a despeito das caçadas.Uma das razões, dizem os autores, é compensação ecológica: quando parte da população de um animal é abatida, os sobreviventes se vêem com mais recursos, a taxa de mortalidade cai e a de natalidade sobe, compensando - às vezes, exageradamente - a perda.Matar animais também pode aumentar a vulnerabilidade da população à doença, ao eliminar os indivíduos que haviam desenvolvido imunidade natural. Os pesquisadores descobriram que a compensação e a imunidade interagem de forma tal que os períodos de acasalamento e nascimento dos animais determinam se a caça será ou não efetiva contra a doença. Quando a caçada se dá entre os períodos de acasalamento e nascimento a doença é pouco afetada, mas quando ocorre durante a época de nascimentos, a epidemia diminui. Já caçadas entre a fase de nascimentos e acasalamento ajudam a impulsionar a doença.

Agencia Estado,

14 de julho de 2006 | 16h25

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