Abbas quer Lula como mediador no Oriente Médio

Para presidente da ANP, brasileiro 'está preparado' para ajudar a implementar paz na região

Eliana Lima, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu ontem um apelo veemente para que ajude a implementação da paz no Oriente Médio. O pedido partiu do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para quem Lula pode ter uma participação ativa nesse processo. "Vossa excelência conquistou a admiração internacional, é muito capaz. Necessitamos da sua ajuda. Precisamos que o senhor assuma esse papel (de mediador), pois está preparado para isso", disse Abbas ao se encontrar com Lula em Salvador.

Em resposta, o presidente brasileiro condenou a situação de conflito que envolve palestinos e israelenses e afirmou que o Brasil advoga o diálogo e tem interesse em participar mais firmemente das discussões pela paz. Defendeu, ainda, a persistência na busca de entendimento entre as nações envolvidas. "Não é possível que os interesses de uma minoria se sobreponham aos interesses gerais", ressaltou.

Segundo Lula, se for realizada uma pesquisa em todo o mundo sobre a opinião das nações em relação aos problemas políticos no Oriente Médio, "mais de 80% se manifestarão favoráveis à paz". E concluiu: "Então, se todo o mundo quer a paz, o que precisa ser feito é um trabalho coletivo em favor da paz."

"Todos os governos devem colocar esse tema entre suas prioridades", pregou o presidente brasileiro, que ainda condenou a ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina ressaltou que o Brasil é um bom exemplo, por ter aprendido a conviver com as diferenças "sem olhar cor, sexo ou religião".

VIAGEM

Mahmoud Abbas chegou à Bahia na noite de quinta-feira, para se encontrar com Lula, dando a assim a largada em uma ampla viagem pela América Latina, em busca de apoio à criação do Estado palestino.

Seu primeiro compromisso oficial foi uma reunião com vários embaixadores de países árabes. Ontem, após seu encontro com Lula, ele ofereceu um almoço em um restaurante da capital baiana para a comunidade palestina.

Ainda pela manhã houve a assinatura de um termo de cooperação técnica entre os dois países. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o Brasil já vem contribuindo financeiramente com a Palestina e o acordo assinado pela manhã com o embaixador Ibrahim Al Zeben apenas ampliará essa participação para outros setores, como a agricultura e o esporte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.