Aberta a colheita do caqui para turistas

Sitiante de Piedade (SP) já ganha mais com o turismo rural do que vendendo produção à Ceagesp, na capital

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 02h47

O agrônomo Cláudio Eduardo Nadaleto escolhe a fruta mais graúda, retira do pé e, com a ajuda de uma faca, degusta a polpa avermelhada e suculenta do caqui fuyu. Ele e centenas de outros turistas foram atraídos pela iniciativa do produtor rural Tadakasu Sakaguti, de Piedade, a 85 quilômetros de São Paulo, de abrir o pomar da fruta para turistas.

Os visitantes percorrem as áreas de plantio com mil pés de caqui, comem à vontade e colhem numa cesta as frutas que desejam levar para a casa. Na saída, o caqui é pesado e a pessoa paga R$ 3,50 o quilo. "As frutas saboreadas no pomar saem de graça", explica o produtor.

O sistema colha-e-pague do Sítio Sakaguti, no bairro Sarapuí de Cima, está na quarta edição e prossegue até o próximo dia 25. Até lá, a expectativa do produtor é de que 50 toneladas de caqui tenham sido consumidas ou levadas. Tadakasu, mais conhecido pelo nome brasileiro de Márcio, conta que teve a ideia quando a mão de obra para a colheita do caqui na região começou a escassear.

"Minha mulher tinha feito um curso de agroturismo no Sindicato Rural de Piedade e achamos que podíamos casar a produção com o turismo." O plano inicial do casal era colher parte do caqui para o mercado e deixar o restante no pé para os turistas. O projeto deu tão certo que já no segundo ano eles decidiram suspender as entregas na Ceagesp, na capital. "Nos últimos dias faltou fruta."

Colheita. Agora, Sakaguti nem se preocupa com a colheita. Assim que as frutas amadurecem, no fim de março, ele inicia o colha-e-pague. O sucesso é tanto que o evento passou a fazer parte do calendário turístico do município. Este ano, ele recebeu vários ônibus com turistas de São Paulo e atendeu a escolas da região. "No ano passado, vieram turistas da França e da Alemanha", conta. Além das frutas, os visitantes podem degustar e levar produtos à base de caqui, preparados pela esposa de Sakaguti, dona Fumiko: pastéis doces e salgados, sucos, geleias, sorvetes, tortas e balas.

Cuidados. Para garantir o sucesso da iniciativa, o produtor não descuida das plantas. A maior parte dos caquizeiros foi plantada há 51 anos. Os Sakaguti imigraram do Japão em 1933 e se fixaram em Piedade em 1959, quando ocorreu o plantio. O agricultor garante que as árvores, originárias do país oriental, estão no auge do vigor. "No Japão, os caquizeiros vivem e produzem até 100 anos."

O agricultor não usa defensivos e só aplica adubos orgânicos para nutrir as plantas. Também desenvolveu um sistema de adubação verde com a gramínea aveia preta, prática que virou tema de estudos de mestrandos do Programa de Agroecologia da UFSCar, câmpus de Araras. Apesar da predominância da variedade fuyu, o sítio tem outros tipos de caqui, como o coração-de-boi e o taubaté. Recentemente, para atender solicitação dos visitantes, Sakaguti ampliou o pomar com o plantio de mudas de caqui-chocolate - a fruta tem a cor e o sabor característicos.

Conforme o engenheiro agrônomo Alberto Massao Shimoda, da Diretoria Municipal de Agricultura, o caqui degustado diretamente no pomar é mais doce e saboroso. "Enquanto para o mercado a fruta é apanhada com grau de maturação entre 50% e 60%, no pé o caqui chega a atingir o ponto máximo de maturação."

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