Aberto ao olhar alheio

Conformado com a falta de privacidade, casal israelense troca paredes por painéis de vidro no seu apê em Tel-Aviv

David Kaufman, NYT / REPORTAGEM e Fred A. Bernstein, NYT / FOTOS,

22 de dezembro de 2010 | 10h00

 

Os fãs de design podem se empolgar com a lendária arquitetura Bauhaus de Tel-Aviv, mas a maioria dos prédios de apartamentos da cidade é igual àquele onde vivem Idit Barak, estilista de moda, e seu marido, Ron Reinfeld, financista, ambos de 35 anos: grande, retilíneo e sem graça.

 

O prédio de seis andares, construído nos anos 50, fica no lado sul da Praça Rabin, um dos maiores espaços públicos da cidade. Quando foi comprado pelo casal em 2008, por US$ 540 mil (cerca de R$ 915 mil), o apartamento de 100 m² era escuro e sombrio. Além disso, ficava no primeiro andar e dava para a movimentada Rua Malkei Israel, o que inevitavelmente comprometeria a privacidade do casal.

 

Mas, segundo Idit, o apartamento era 40% maior que outros que ela havia visto pelo mesmo preço. E, em vez de se preocupar com a exposição excessiva, eles decidiram usá-la a seu favor, dando a quem passasse sob sua janela alguma coisa digna de ver.

 

 

 

 

A estilista é dona de duas butiques de roupas femininas e contratou Guy Zucker, dono do Z-A Studio, o escritório de Nova York responsável pelo projeto de suas lojas, para transformar os quartos "pequenos, escuros e inaproveitáveis" do apartamento num espaço claro e integrado, parecido com um loft.

 

O marido preferiu ficar afastado do processo. "Não tenho conhecimento de design nem de arquitetura, por isso confiei na Idit e na colaboração de Guy", disse. A reforma, que foi concluída em 2009 a um custo de US$ 90 mil (equivalente a R$ 153 mil), se concentrou em criar uma sensação de transparência no apartamento. Várias paredes e vigas foram removidas para criar dois dormitórios de bom tamanho de um lado e uma cozinha aberta, sala de visitas e área de jantar do outro.

 

Em vez de paredes convencionais, pesados painéis de vidro temperado foram usados para definir a área de convivência e o dormitório principal (entre os dois quartos há um pátio interno que dá para a rua). Sem cortinas e com o que parece uma fachada de vidro, o apartamento brilha dentro da noite, oferecendo uma vista luminosa a seus habitantes.

 

 

 

"As pessoas sempre dizem que amam o projeto, mas que não poderiam viver com tanto vidro no meio da cidade", disse Idit. "Nós não tivemos medo de trocar a privacidade por essa luz espantosa." É um nível de exposição que testaria a abertura do mais liberal dos casais. Nem ela nem ele pareciam se importar até três meses atrás, quando nasceu Sophia. Idit acredita que, à medida que o bebê crescer, eles poderão querer privacidade. "Talvez instalaremos venezianas elétricas, que são um pouco translúcidas."

 

As paredes brancas acentuam o brilho do espaço e oferecem um fundo simples para o mobiliário moderno do casal - armários Ikea arrumados como blocos de Tetris na parede da cozinha e na sala de visitas; um sofá da LS Designs de Tel-Aviv ladeado por uma cadeira Ball de Eero Aarnio (que foi presente de casamento); e uma cadeira de couro preto que Idit encontrou na rua e mandou restaurar.

 

A pia do banheiro parece moderna, mas é original do apartamento. A estilista a chama de "pia do peixe" porque imagina que um dia ela foi usada para armazenar peixes vivos antes de eles virarem guefilte fish, os tradicionais bolinhos que não podem faltar no shabat. Agora é onde ela dá banho em Sophia. "Nos sentimos como quem tem o melhor lugar do show", disse ela.

 

TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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