Abimaq vê queda nas vendas, cobra corte maior do juro

A indústria brasileira de bens de capital mecânicos fechou 2008 com faturamento recorde, mas o desempenho deveu-se à performance antes do aprofundamento da crise de crédito internacional no país em meados de setembro. O setor vive agora um cenário de queda nas vendas e cobra do governo uma redução ainda mais agressiva da taxa básica de juros. Em encontro com a imprensa nesta quarta-feira, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou que o faturamento do setor em 2008 teve crescimento nominal de 26,7 por cento sobre o ano anterior e de 21,6 por cento se descontada a inflação. Apesar de ser um desempenho recorde, o resultado poderia ter sido melhor, afirmou a entidade, não fosse a crise de crédito que levou o faturamento dos últimos três meses de 2008 cair quase 10 por cento sobre o terceiro trimestre. Com a chegada da crise, a Abimaq montou grupo de estudos para avaliar o setor e após pesquisa com cerca de 300 empresas estima que o faturamento do primeiro trimestre deste ano será 19 por cento menor que as vendas de 19,78 bilhões de reais apuradas no quarto trimestre. O setor espera que as autoridades responsáveis trabalhem para que o "embicamento da economia seja curto e raso", afirmou o vice-presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza. "O governo demorou um pouco para agir, mas parece que caiu a ficha", afirmou ele referindo-se às medidas recentes anunciadas por Brasília para fomentar o crédito, como o aumento de 100 bilhões de reais do orçamento do BNDES para empréstimos. Segundo a Abimaq, a falta de crédito dos bancos para capital de giro continua o que cria dificuldades até para empresas com carteira de pedidos saudável. A entidade calcula que o problema do fluxo de caixa gerou uma queda de 2,1 por cento no nível de emprego do setor em dezembro sobre novembro, a maior desde dezembro de 1998. O número de cortes no setor nos últimos dois meses do ano foi de 7.400 postos, para 242.865 mil empregos. Em outubro, o setor havia batido recorde de vagas, chegando perto das 250 mil. Até meados de setembro, "as empresas vinham todas num crescente e nesse momento a necessidade de capital de giro se multiplica e quando se corta a seco o financiamento não dá para se fazer milagre", disse Pastoriza. Entre os segmentos que apresentaram queda no faturamento bruto em 2008 estão o de máquinas gráficas, com retração de 23,1 por cento; e o de máquinas têxteis, com recuo de 24,6 por cento. O líder em crescimento em 2008 foi o segmento de máquinas agrícolas, com alta de 36,9 por cento. Porém, a Abimaq ressaltou que com a chegada da crise, o faturamento do segmento no quarto trimestre recuou quase 29 por cento sobre o registrado nos três meses antes. INVESTIMENTO Na pesquisa, a entidade estima que os investimentos industriais previstos para 2009 são de 6,862 bilhões de reais, dos quais 5,092 bilhões de reais em máquinas e equipamentos. O total de gasto industrial previsto pela entidade é menor que os 7,1 bilhões de reais realizados ano passado. Porém, os gastos somente com máquinas e equipamentos esperados para este ano são de cerca de 10 por cento maiores que os investimentos realizados no segmento em 2008. Isso não chega a ser uma boa notícia para a Abimaq porque representa mais uma continuidade dos processos de investimentos iniciados antes da crise e menos projetos novos. O setor de bens de capital mecânicos encerrou 2008 com um déficit recorde em balança comercial de 9,07 bilhões de dólares, um salto de 89 por cento sobre o registrado em 2007. As exportações somaram 12,85 bilhões de dólares, crescendo 21,3 por cento, mas as importações dispararam 42,4 por cento, para 21,92 bilhões. (Reportagem de Alberto Alerigi Jr.)

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