Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Abóbora? Prove só a folha...

Acho que todos nós conhecemos pelo menos umas três variedades de abóbora. Abóboras pertencem à família de plantas com maior número de espécies usadas como alimento pelo homem, a das cucurbitáceas - a começar pelo gênero, Cucurbita, que engloba as de frutos achatados ou de pescoço, as de rama ou de touceira, as lisas e as rajadas. Algumas são melhores maduras; outras, verdes. Umas são para doce; outras, com sal. E todas têm folhas comestíveis.

Neide Rigo,

08 Agosto 2013 | 02h17

Mas quem se lembra de que as folhas são boas para comer, além de tão nutritivas e gostosas como o espinafre?

Acontece que as plantas vão se especializando para produzir melhor uma parte ou outra. Acredita-se que as cucurbitáceas, por exemplo, foram cultivadas ancestralmente não pela polpa, que era exígua, mas pelas sementes abundantes, ricas em gorduras e proteínas. As espécies cultivadas hoje seriam resultado de mutações naturais e seleções artificiais, privilegiando a polpa carnuda, que passou a ser a parte mais apreciada.

Domesticadas no Novo Mundo, as abóboras hoje são cultivadas e consumidas em vários países, mas são poucos os lugares em que as folhas são usadas como verdura. Não é o caso da África. Na Namíbia e países vizinhos, por exemplo, as folhas macias com superfície penuginosa são cozidas e servidas como acompanhamento do prato principal, a exemplo de outras folhas menos convencionais entre nós, como as de mandioca e de batata-doce.

Quem já viu o projeto Delicatessen with Love, do fotógrafo italiano Gabriele Galimberti, que retrata avós do mundo inteiro apresentando seus ingredientes e a comida preparada com eles, deve ter notado que um dos pratos de resistência da avó do Zimbábue é feito com grandes folhas de abóbora. A verdura, pré-cozida e refogada em manteiga de amendoim, é servida com uma espécie de polenta branca chamada sadza. Foi a deixa para que eu tentasse fazer algo parecido com as folhas que colhi da minha aboboreira bicolor. Todos os que provaram, aprovaram. Combinam com o sabor forte do amendoim. Porém, mesmo refogadas apenas com alho, cebola e tomate, ficam gostosas e macias, com leve sabor de abobrinha verde.

Uma das vantagens das folhas de abóbora em relação àquelas mais comuns no mercado é que podem resistir a intempéries. É pena que ainda não sejam encontradas para comprar, pois o foco ainda está no fruto. Mas está aí um caso em que uma finalidade não exclui a outra, e arrancar algumas folhas não enfraquece a planta nem diminui a qualidade da abóbora. Seria uma fonte de renda a mais para o pequeno produtor. Há também as flores, essas sim, ingrediente cobiçado.

Não custa perguntar pelas folhas a seu quitandeiro de confiança, a um produtor orgânico ou mesmo ao feirante. Afinal, a demanda traz a oferta.

Receita: folhas de abóbora sabor amendoim

Ingredientes

200g de folhas de abóbora com talo (escolher as mais macias)

1 tomate pequeno, picado

1 pimenta dedo-de-moça madura, picada

1 cebola pequena, picada

1 colher (café) de pó de caril (curry)

1/2 colher (chá) de sal

1 xícara de água

2 colheres (sopa) de pasta de amendoim pura, sem sal (ou triture 4 colheres de sopa de amendoim torrado, sem casca, e dilua em um pouco de água)

1. Antes de picar as folhas já lavadas, tire as fibras do talo e das nervuras, puxando com uma faca. Enrole as folhas e pique em fatias de 0,5 cm.

2. Coloque numa panela as folhas lavadas e picadas, o tomate, a pimenta, a cebola, o caril, o sal e a água. Misture, tampe e cozinhe em fogo baixo por 15 minutos ou até a verdura estar macia com algum caldo. Junte a pasta de amendoim e misture. Deixe voltar a ferver e desligue o fogo.

3. Sirva com arroz ou polenta de milho branco. Para fazer a polenta, use fubá de milho branco, encontrado em mercados municipais. Despeje ainda quente em tigelas pequenas ou xícaras untadas com óleo. Espere amornar e desenforme.

Rende 2 porções.

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