Abril Educação amplia prejuízo no 2o tri a R$37 milhões

A Abril Educação, companhia voltada à educação básica e pré-universitária, ampliou seu prejuízo líquido para 37 milhões de reais no segundo trimestre, ante resultado negativo de 8,2 milhões de reais um ano antes.

REUTERS

11 Agosto 2014 | 20h41

Os números foram pressionados pela provisão de reestruturação, de 28 milhões de reais no período, e o avanço das despesas financeiras, para 36,5 milhões de reais, de acordo com o presidente-executivo da companhia, Mario Ghio Junior.

Desconsiderando estes efeitos, o resultado estaria em linha com o do segundo trimestre de 2013, sendo que o período é tradicionalmente mais fraco em relação aos demais, acrescentou o executivo.

A receita líquida entre abril e junho totalizou 209,4 milhões de reais, um crescimento de 27 por cento sobre o mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, a captação de alunos de escolas e sistemas de ensino na primeira metade do ano garante receita para o ano todo. O segmento representou 34 por cento da receita no semestre e encerrou junho com 793,3 mil alunos, 41 por cento a mais na comparação anual.

Parte deste aumento foi impulsionado pelo crescimento orgânico de 14 por cento na base de alunos dos sistemas tradicionais (Anglo, pH, SER, GEO, Maxi e Farias Brito).

Além disso, o avanço de 127 mil alunos no Sistema Técnico em virtude do reconhecimento das matrículas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico(Pronatec) também ajudou nos resultados.

Já entre as escolas e cursos preparatórios (Anglo, pH, Motivo e Sigma) fechou o trimestre com 23,1 mil matriculados em 19 unidades, um avanço de 50 por cento em relação a 2013.

No negócio de idiomas, a receita líquida foi 30 por cento superior na comparação anual, a 36,4 milhões de reais, em virtude do reconhecimento parcial da receita do Grupo Ometz (Wise Up e You Move).

Em bases comparáveis, a receita do negócio de idiomas recuou 5 por cento no trimestre, reflexo da redução na quantidade de materiais didáticos vendidos, principalmente devido à diminuição de dias úteis durante a Copa do Mundo.

De acordo com a Abril Educação, com o plano estratégico de expansão, foram assinados contratos para a abertura de 74 novas franquias, sendo 19 já em operação.

Ao mesmo tempo, segundo Ghio Junior, a empresa vai encerrar cerca de 30 franquias consideradas pouco rentáveis até o final do ano, com a intenção de migrar os alunos para escolas próximas.

Em agosto, a Abril Educação inicia o projeto ‘In School’, que explora operações de "cross-selling" entre Sistemas de Ensino e Escolas de Idiomas, e deve potencializar a geração de receita para os próximos anos, conforme afirmou Ghio Junior à Reuters em julho.

No segmento de editoras, houve queda de 300 mil livros vendidos, encerrando o trimestre em 100 mil unidades, o que ocorre pelo aumento da penetração de sistemas de ensino.

Ghio Junior afirmou que espera melhora do segmento com o Programa Nacional do Livro Didátivo (PNLD) a partir do terceiro trimestre.

"Estamos exatamente no período de divulgação para os professores das nossas obras. 77 por cento dos nossos livros foram aprovados para o governo, estamos concorrendo entre as 10 maiores disciplinas", disse.

Durante o segundo trimestre foi concluída a transação entre Abrilpar e Tarpon Investimentos, que passa a integrar o bloco de controle da empresa, enquanto a companhia se prepara para migrar para o Novo Mercado.

O Ebtida (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e mortização) ajustado foi de 500 mil reais reais no período, ante 24,8 milhões de reais um ano antes.

PERSPECTIVAS

A desaceleração do cenário econômico não afeta a companhia tão fortemente quanto outros setores.

"A educação basica costuma ser menos impactada. Não estamos imunes ao cenário econômico mas estamos bem menos expostos do que outras atividades", afirmou o presidente da Abril Educação.

O executivo reiterou que não há nenhuma grande fusão ou aquisição a caminho, sendo que o foco são pequenas empresas de tecnologia educacional ou pequenos sistemas de ensino.

(Por Juliana Schincariol; Edição de Luciana Bruno)

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