Abu Dabi sob pressão para dar apoio a Dubai

Fontes próximas dos governo de Abu Dabi dizem que Emirados Árabes não permitirão colapso de Dubai

Dow Jones Newswires, Dubai, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Cresce a pressão internacional sobre Abu Dabi para ajuda financeira a Dubai, depois que os temores de um calote na dívida de um dos conglomerados do governo abalou os mercados financeiros no mundo inteiro. Pessoas próximas ao governo de Abu Dabi informam que os Emirados Árabes Unidos (EAU) não permitirão que Dubai seja esmagado pelos problemas da Dubai World, um consórcio estatal do setor financeiro, portuário e imobiliário.

O conglomerado, que tem um passivo consolidado de cerca de US$ 60 bilhões, está buscando uma suspensão por seis meses no pagamento das dívidas, em meio aos problemas nas unidades de imóveis e investimentos Nakheel e Istithmar World.

"O apoio de Abu Dabi para Dubai pode ser menos generoso do que os mercados estão supondo até agora", informou o banco suíço UBS. "Talvez Abu Dabi tenha forçado Dubai a lidar com o problema da dívida corporativa excessiva dentro de casa, antes de estender mais apoio financeiro", diz a nota distribuída pelo banco.

Abu Dabi ajudou Dubai em fevereiro por meio do Banco Central dos Emirados Árabes Unidos, que comprou US$ 10 bilhões em bônus emergenciais. Bancos de Abu Dabi controlados pelo governo compraram esta semana outros US$ 5 bilhões em dívida soberana de Dubai.

Ontem a noite, a família governante de Dubai tentou assegurar aos investidores externos sobre a qualidade de crédito da estatal em crise. O xeque Ahmed bin Saeed Al Maktoum, que comanda um comitê financeiro, disse que o governo estava tomando "ações decisivas para lidar com o fardo de dívida particular". O xeque prometeu mais informações sobre a reestruturação do Dubai World e da sua dívida para a próxima semana, e isso pode coincidir com o feriado do Dia Nacional, em 2 de dezembro, que celebra a formação dos Emirados Árabes Unidos. Analistas acreditam que notícias mais concretas podem vir antes do dia 2, com o término do feriado muçulmano Eid Al Adha no domingo.

"A região não está sofrendo colapso, e depois do feriado esperamos que haja mais luz sobre o que está sendo feito na região", disse Stephen Pope, estrategista-chefe de ações globais da Cantor Fitzgerald, em Londres. Ele criticou que a Dubai World fez o anúncio depois do fechamento dos mercados locais na quarta-feira, quando o mercado em Wall Street entrava no feriado de Ação de Graças. Segundo ele, o momento foi irresponsável e encerra o sonho de Dubai de tornar-se um centro financeiro.

O especialista pondera que os investidores precisam ter em mente que o conglomerado Dubai World não é o governo de Dubai.

Os Emirados Árabes são uma federação de sete emirados, incluindo Abu Dabi e Dubai. Abu Dabi é o parceiro principal do grupo e controla 90% das vastas reservas de petróleo, consideradas a quinta maior do mundo. A queda de 50% nos preços de imóveis em Dubai desde o ano passado atingiram as finanças, assim como o custo crescente de financiamento da dívida, cuj o valor deve superar os US$ 80 bilhões, perto do valor de um ano de Produto Interno Bruto. Tanto Dubai quanto Abu Dabi enfatizaram unidade em resposta às críticas de que a crise financeira expôs as falhas da estrutura federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.