Abuso sexual não é só problema católico, diz Vaticano

Instituições precisam reconhecer e combater 'perversidade', afirma porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi

PHILI, REUTERS

17 Julho 2007 | 09h58

A pedofilia não é um problema só da Igreja Católica, e outras instituições precisam reconhecer e combater tal "perversidade" em suas fileiras, disse o Vaticano nesta terça-feira, 17.   Veja também: Igreja pagará US$ 600 mi por acordo sobre abusos nos EUA O padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, disse também que o acordo entre a arquidiocese de Los Angeles e vítimas de abusos sexuais, envolvendo o valor recorde de US$ 600 milhões, é uma tentativa de "fechar um capítulo doloroso e olhar para frente." "A Igreja está acima de tudo claramente machucada pelo sofrimento das vítimas e de suas famílias, pelas profundas feridas causadas pelo grave e indesculpável comportamento de alguns de seus membros", disse Lombardi. "Ela decidiu se comprometer por todos os meios a evitar uma repetição de tal perversidade", afirmou ele, acrescentando que agora há "uma política de prevenção e criação de uma atmosfera ainda mais segura para crianças e jovens em todos os aspectos dos programas pastorais." Lombardi reafirmou uma posição adotada no passado por outros líderes eclesiásticos - de que outras religiões e instituições também deveriam lidar com a pedofilia de forma tão aberta quanto a Igreja Católica se viu obrigada devido aos escândalos recorrentes. "O problema do abuso da infância e da sua proteção adequada certamente não diz respeito apenas à Igreja, mas também a outras instituições, e é correto que estas tomem as decisões necessárias também", afirmou o padre, segundo quem a Igreja pretende ser "um protagonista na luta contra a pedofilia." O acordo de sábado em Los Angeles envolve 508 supostas vítimas, em casos que remontam à década de 1940. Graças à solução, o cardeal Roger Mahony será poupado de depor no processo que começaria na segunda-feira. A negociação para o acordo levou quatro anos e meio. Em 2003, a arquidiocese de Boston havia feito um acordo para indenizar 550 pessoas com 85 milhões de dólares. O então arcebispo Bernard Law foi forçado a abdicar. Além dos abusos propriamente ditos, há evidências de que líderes eclesiásticos protegiam os padres pedófilos, transferindo-os para paróquias menores ao invés de afastá-los e denunciá-los. Em sua entrevista à Rádio do Vaticano, Lombardi falou dos "sacrifícios" que o acordo imporá à arquidiocese de Los Angeles, que terá de vender seu patrimônio imobiliário, inclusive a sede do arcebispado, e recorrer a seguradoras e a várias ordens católicas. Eleito em 2005, o papa Bento XVI adota uma postura mais rígida sobre os casos de abuso sexual do que seu antecessor, João Paulo 2o. Em 2006, o novo papa puniu o reverendo Marcial Maciel Degollado, de 86 anos, fundador da ordem conservadora Legionários de Cristo, que era acusado de ter cometido abusos sexuais contra meninos há várias décadas.

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