A.C. Camargo e Fiocruz compram sequenciadores

O Hospital A.C. Camargo e a Fiocruz do Paraná devem receber no mês que vem as duas primeiras máquinas de sequenciamento no Brasil do modelo Ion Proton. O equipamento, segundo a empresa que o desenvolveu, Life Technologies, é o primeiro capaz de sequenciar um genoma humano em um dia, por US$ 1 mil - marco mais cobiçado da indústria de biotecnologia na área.

HERTON ESCOBAR, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h03

As máquinas fazem parte do primeiro lote comercial a ser entregue pela empresa. Atualmente, apenas quatro laboratórios no mundo têm o equipamento, em esquema de teste.

O grande diferencial em relação aos sequenciadores atuais é que o Ion Proton utiliza uma tecnologia baseada em semicondutores para transformar as informações químicas no DNA diretamente em informações digitais (uma sequência de letras A, T, C e G no computador), enquanto as máquinas no mercado primeiro transformam as informações em sinal luminoso, captado por câmera digital e transformado em dados informáticos.

A primeira máquina lançada pela Life Technologies com essa tecnologia, Ion PGM (de Personal Genome Machine), é capaz de sequenciar 1,5 bilhão de nucleotídeos (as bases individuais do DNA) a cada cinco horas. Com o Ion Proton, a empresa espera 100 bilhões em 10 horas. A nova máquina custa US$ 250 mil.

Aplicações. No A.C. Camargo, especializado em câncer, a máquina será usada para fins de pesquisa aplicada. "A ideia é que as informações geradas voltem o mais rápido possível para o paciente", diz o pesquisador Emmanuel Dias Neto.

O sequenciamento é uma ferramenta cada vez mais importante no diagnóstico e tratamento do câncer, permitindo identificar mutações específicas de cada paciente e customizar a terapia e o acompanhamento das características genéticas de cada tumor. Em casos de famílias com histórico de câncer de mama, por exemplo, a máquina poerá sequenciar o genoma de uma ou mais mulheres da família, identificar as mutações e fazer um aconselhamento genético de acordo com esses resultados.

O hospital já possui três sequenciadores de alta capacidade, com diferentes configurações. Mas Dias Neto aposta no Ion Proton para dar mais volume e velocidade às pesquisas.

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