Acaba greve de caminhoneiros na Colômbia; governo segue sob pressão

Os caminhoneiros colombianos suspenderam na terça-feira uma greve que durou três dias, prejudicou exportações e agravou a escassez de combustíveis em algumas províncias, enquanto cafeicultores continuam bloqueando algumas rodovias.

LUIS JAIME ACOSTA E JACK KIMBALL, Reuters

05 de março de 2013 | 17h42

Protestos, greves e atentados em setores ligados à produção e exportação de matérias primas reduziram o crescimento econômico do país e abalaram a popularidade do presidente Juan Manuel Santos, num momento em que ele tenta encerrar uma longa guerra civil e cogita se candidatar à reeleição em 2014.

A maioria das exportações e importações colombianas depende do tráfego rodoviário, o que inclui o café --o país é o maior produtor mundial dos grãos do tipo arábica, de alta qualidade. Para que os caminhões voltassem a circular, o governo cancelou um recente aumento do diesel.

"Nos próximos três anos, não haverá aumentos", disse o ministro da Energia, Federico Renjifo, a jornalistas.

Mais de 300 mil caminhoneiros aderiram aos muitos protestos em curso no país, intensificando a pressão sobre Santos, o que inclui uma greve de quase um mês na mina Cerrejón, maior exportadora colombiana de carvão.

No caso dos cafeicultores, o governo elevou os subsídios, mas os líderes dos protestos mantiveram o movimento, bloqueando estradas para exigir garantia de um preço mínimo para o produto.

Na terça-feira, Santos qualificou os bloqueios de "absurdos" e enviou seu vice-presidente, um experiente ex-sindicalista, para mediar.

Após quatro anos de safras frustrantes, os cafeicultores enfrentam em 2012 uma conjunção de preços baixos no mercado externo e valorização da moeda local, que reduziu os ganhos dos exportadores.

Na mina Cerrejón, sindicalistas estão consultando a categoria desde segunda-feira sobre uma nova proposta da direção para encerrar a greve.

O presidente do sindicato Sintracarbon, Igor Diaz, disse na terça-feira de manhã que as discussões já haviam sido realizadas com trabalhadores em quatro tendas montadas em frente a mina, e que faltava percorrer 11 tendas.

A Colômbia é o quarto maior exportador mundial de carvão, mas o setor tem enfrentado problemas. Na semana passada, autoridades reguladoras anularam suspensões que pensavam sobre a empresa Drummond, segunda maior produtora nacional, e sobre uma importante ferrovia.

(Reportagem adicional de Diana Delgado)

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