Ação da PM acaba com fogo em ônibus e 2 mortos

Duas pessoas morreram carbonizadas na madrugada deste domingo (9) em um ônibus no Jaçanã, na zona norte. Segundo a polícia, o incêndio foi represália de bandidos a uma ação policial ocorrida uma hora antes, a poucos quarteirões dali, que terminou com a morte de um jovem. No começo da noite, seis policiais envolvidos foram presos.

RODRIGO BURGARELLI, Agência Estado

10 Dezembro 2012 | 09h13

De acordo com testemunhas, uma das vítimas do ônibus seria um boliviano, que havia bebido em uma festa e dormia no coletivo esperando a partida - ele não teria percebido o início do fogo. O outro seria um morador de rua que atuava como zelador da praça e teria entrado no ônibus para tentar salvar o boliviano.

Estopim do incêndio, a abordagem policial ocorreu à 1h30 na Rua Basílio Alves Morango. Segundo a versão dos policiais, os dois ocupantes do Passat vermelho estavam armados e tentaram fugir ao perceberem a aproximação da viatura. Foi quando houve o suposto tiroteio e Maycon Rodrigues de Moraes, o Alemão, que teria passagem por tráfico, foi morto. O outro jovem, Walterney Marques da Silva Júnior, foi baleado e levado ao hospital, onde permanece internado.

Essa versão oficial foi durante todo o dia contestada por vizinhos e familiares da vítima, que dizem que os jovens não reagiram. Um parente de Maycon disse ao Estado que a truculência policial foi tanta que o irmão dele, Marcelo, teria sido internado com traumatismo craniano. Ao saber do tiroteio, ele teria ido ao local do crime, que fica perto da casa dos dois, e sido espancado pela polícia.

Após o tiroteio, moradores ainda se reuniram em torno da viatura para protestar. Policiais teriam disparado tiros para o alto para dispersar a multidão.

Uma hora depois da morte de Maycon, um grupo jogou gasolina em um ônibus estacionado na zona norte, que pegou fogo e queimou as duas pessoas. Até as 19h deste domingo, os corpos não haviam sido identificados. A menos de dois quarteirões dali, na Praça Ana Gutemberg, também no Jaçanã, um segundo ônibus foi queimado às 11h. Ninguém ficou ferido.

O clima de tensão permaneceu o dia todo na região. No quarteirão do tiroteio, bloqueado pela polícia, moradores se juntaram para protestar novamente e bombinhas de festa junina chegaram a ser jogadas contra os policiais. Amigos se reuniram com camisas com os dizeres "saudades eternas" e a foto de Maycon. Mais uma vez, segundo moradores, a polícia usou a força e disparou balas de borracha para dispersar a multidão.

Detidos

Pelo menos 14 suspeitos pelos incêndios haviam sido detidos pela polícia até o fim da tarde de ontem - alguns menores de idade. A polícia chegou aos primeiros nomes após três deles darem entrada em hospitais da região com queimaduras no corpo. Eles teriam dito que haviam se queimado em um churrasco. "Fomos lá e começamos a perguntar. Onde foi? Cadê o churrasqueiro? Cadê a carne? Eles não souberam responder", diz o delegado da Seccional Norte, Cosmo Stikovics Filho. A polícia vai apurar quais deles se envolveram no incêndio do primeiro ônibus. Eles poderão ser indiciados pelos dois homicídios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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