Ação julgada pelo STF teve origem em delegacia do RJ

A ação julgada ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou a realização de marchas da maconha no Brasil, nasceu há três anos em uma delegacia do Catete, na zona sul do Rio de Janeiro. Na ocasião, o sociólogo Renato Athayde Silva e quatro manifestantes haviam sido presos por apologia ao crime no bairro vizinho de Laranjeiras, enquanto distribuíam panfletos com convites para uma passeata a favor da descriminalização da droga.

BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

16 Junho 2011 | 19h49

O episódio marcou o início de uma batalha judicial pelo direito de realização das marchas. Renato se uniu então aos advogados André Barros e Gerardo Santiago para tentar uma solução definitiva: eles enviaram uma representação ao Ministério Público Federal, que propôs à corte mais alta do País a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 187, julgada ontem.

"Finalmente, o debate sobre a legalização das drogas é possível", avalia Gerardo. "Com decisões judiciais que proibiam a marcha e manifestações a favor da legalização, havia uma censura a essa discussão". Os três participam de um dos movimentos organizadores da marcha da maconha no Rio e militam pela legalização da droga no Brasil. Gerardo chegou a defender a causa quando se candidatou a vereador em 1996, pelo PT. Obteve apenas 1.480 votos, quando precisaria de 10 mil para se eleger.

"Falando sobre isso há 15 anos, eu me sentia um extraterrestre, porque pouca gente compreendia. Sabia que teria dificuldades em me eleger, mas achava importante levantar essa questão", afirma. Segundo o grupo, muito mudou desde então. Na marcha deste ano, conseguiram reunir 5 mil pessoas, apesar das restrições que os obrigaram a conseguir habeas corpus preventivos desde 2009 para realizar a passeata.

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