Ação projetou e derrubou delegado Protógenes

A Operação Satiagraha projetou nacionalmente o delegado Protógenes Queiroz, mas também significou sua ruína na Polícia Federal. Sua expulsão já foi recomendada pela corregedoria-geral da PF e depende de decisão do ministro Tarso Genro.

, O Estadao de S.Paulo

22 Dezembro 2009 | 00h00

O mentor da Satiagraha é suspeito de ter vazado informações secretas da operação. Inquérito da PF constatou que ele mobilizou pelo menos 84 agentes e oficiais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na ofensiva contra o banqueiro Daniel Dantas.

Isolado no governo, Protógenes buscou abrigo no PC do B, com vistas a uma futura carreira política. Mas, no dia em que se filiou ao partido, no início de setembro, foi notificado oficialmente de duas investigações da corregedoria - uma porque, em seu próprio blog, ele teria atribuído à influência de Dantas o real motivo de seu afastamento das funções, em março; outra por supostos abusos na prisão de Flávio Maluf, filho do ex-prefeito Paulo Maluf, em 2005.

"Vejam só, reabriram até essa do Maluf", anunciou o delegado, brandindo ironicamente para os fotógrafos a notificação. "Quanta coincidência! É a cara do Brasil."

LAVAGEM DE DINHEIRO

Ao deflagrar a Satiagraha, Protógenes acusou o banqueiro Daniel Dantas e Naji Nahas de atuar em conjunto em esquema de desvio de verba pública, lavagem de dinheiro e golpes no mercado financeiro com informações privilegiadas.

O suposto esquema teria feito cerca de US$ 2 bilhões passar por Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Irlanda e EUA antes de voltar "lavado" ao País.

O ex-prefeito Celso Pitta, um dos presos na operação, foi flagrado nas investigações tratando com Nahas do recebimento de quantias em dinheiro.

Ação da PF foi deflagrada em julho de 2008, após um delegado da PF ter recebido oferta de suborno de emissário de Dantas para excluí-lo da apuração.

Além do banqueiro, de Nahas e Pitta, foi pedida as prisão temporária de 21 investigados, entre executivos do Banco Opportunity e outras pessoas. A decisão foi tomada pelo juiz Fausto De Sanctis, sob alegação de que era necessário ouvir acusados e evitar destruição de provas.

No dia seguinte às prisões, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, determinou a soltura de Dantas e outros suspeitos, alegando que não havia razões para mantê-los presos. De Sanctis determinou nova prisão de Dantas, desta vez preventiva, baseado na tentativa de suborno. A seguir, o presidente do STF determinou novamente a soltura do banqueiro.

Nos dias seguintes à operação, o Banco Opportunity registrou cerca de R$ 1 bilhão em saques de seus fundos de investimento.

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