Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Ação se dá por transações fictícias

Como se fosse proprietária de certo volume de madeira, empresa emite créditos florestais falsos, que são comprados por outra companhia

, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Com a conivência de autoridades, uma empresa fantasma emite virtualmente os documentos de origem florestal, como se fosse proprietária de uma determinada quantidade de metros cúbicos de madeira. Outra empresa compra esses créditos e legaliza igual volume de madeira extraída ilegalmente.

Foi assim que empresas "esquentaram" quase 60 mil metros cúbicos de madeira serrada e 201 mil metros cúbicos de carvão vegetal.

Para a gerência do Ibama, no casos investigados pelo Estado "verifica-se, indubitavelmente, tratar-se de operações de geração de créditos fictícios, corroborando uma volumetria excepcional de produtos de origem florestal - madeira e carvão vegetal - inexistentes".

O relatório do Ibama de Imperatriz constatou que ocorre "simples transação comercial, fictícia, de movimentação de cargas de produtos florestais, onde, verdadeiramente, só se repassam os papéis geradores do respectivo crédito, através do sistema".

O documento produzido pelo Ibama indica que o superintendente do órgão no Maranhão, Alberto Chaves Paraguassu, levou para a autarquia dois parentes - Guilherme Rocha e Alexandre Peres -, que estariam entre os servidores que homologam pátios e fazem ajustes no sistema de emissão de DOFs. O relatório diz ainda que o Ibama do Maranhão não monitora o sistema como deveria, permitindo que os pátios sejam homologados sem vistoria e sem atender requisitos como o de coordenadas geográficas, licença de operação, CPF dos dirigentes e sem verificar a origem do carvão.

Paraguassu admitiu ao Estado ter conhecimento de que "o sistema é uma fraude só e que os documentos são emitidos de forma aleatória". Mas disse que isso é de responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente do Maranhão (Sema). E afirmou que tem reprimido atividades ilegais.

O governo estadual não quis se pronunciar sobre as suspeitas.

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