Aceleração do IPCA é concentrada e pontual, diz IBGE

A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu em fevereiro o maior nível desde junho passado, mas o movimento foi concentrado e pontual, já que refletiu em grande parte o reajuste sazonal de educação, avaliou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O indicador avançou 0,55 por cento, ante alta de 0,48 por cento em janeiro. Dezoito analistas consultados pela Reuters esperavam avanço de 0,56 por cento, segundo a mediana dos prognósticos, que variaram de 0,50 a 0,65 por cento. "Abstraindo educação, os demais grupos apontam para baixo", disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos. "O país atravessa um período difícil (com a crise), há problemas de crédito e o consumo começa a cair. Há dificuldade às vezes até de repassar um aumento de custo. Por isso, os outros grupos que não a educação desaceleraram." O grupo Educação teve aumento de preços de 4,77 por cento em fevereiro, ante 0,34 por cento em janeiro, sendo responsável por 60 por cento do IPCA do mês. "A maioria da pressão (de educação) é apropriada agora, com um pequeno resíduo para março", acrescentou Eulina. Segundo ela, março "será um mês de pouca pressão". O índice vai captar um resíduo do aumento de ônibus e táxi em Porto Alegre e reajuste de trem, metrô e ônibus em São Paulo. SEM PREOCUPAÇÃO Tirando educação, os demais grupos do IPCA vieram comportados, fazendo a maior parte dos núcleos da inflação desacelerar. No cálculo da Rosenberg & Associados, o núcleo por médias aparadas com suavização subiu 0,29 por cento em fevereiro ante 0,42 por cento em janeiro, e o sem suavização avançou 0,27 por cento, após subir 0,44 por cento. Já o núcleo por exclusão --que retira os preços de alimentos e administrados-- avançou 0,89 por cento, acima da elevação anterior de 0,27 por cento. O IBGE acrescentou que os custos de Alimentação e bebidas desaceleraram a alta para 0,27 por cento, ante 0,75 por cento em janeiro. Entre os alimentos que mais caíram aparecem produtos relevantes na cesta básica do consumidor brasileiro, como carnes, arroz, feijão, tomate, frango, frutas e pão. "As carnes com problemas de exportação estão mais baratas no mercado interno. Há uma ampliação da oferta dos demais produtos que caíram", explicou Eulina. Os preços de Vestuário foram para o território negativo, caindo 0,24 por cento em fevereiro depois de subirem 0,05 por cento em janeiro. Outro alívio veio de Transportes, cujos preços avançaram 0,24 por cento em fevereiro, abaixo da variação de 0,35 por cento do mês anterior. O mercado recebeu bem o IPCA de fevereiro e o também divulgado nesta manhã IGP-M da primeira prévia de março, que caiu mais o esperado. Os contratos de juros futuros na BM&F operavam em baixa, à espera também da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que deve decidir por mais um corte na Selic. "O resultado (do IPCA) apontou que alguns itens com grande peso, sobretudo vários componentes do grupo de Alimentação e bebidas, têm demonstrado evolução benigna, o que, conjuntamente à leitura mais negativa do que o esperado do PIB do quarto trimestre de 2008, poderá fomentar novo rebaixamento das expectativas para o IPCA em 2009", afirmou a LCA Consultores em nota a clientes. No ano, o IPCA acumula alta de 1,03 por cento e nos últimos 12 meses, de 5,90 por cento.

RODRIGO VIGA GAIER E VANESSA STELZER, REUTERS

11 de março de 2009 | 10h44

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